sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Automovel Elétrico

No final do século XIX os automóveis elétricos eram a grande aposta da incipiente indústria. Não havia ainda uma ideia do veículo como um objeto de consumo de massa, acessível e de grande alcance como automóvel acabou se tornando.
Henry Ford foi um dos que deixaram a propulsão elétrica de lado em investiu no uso do motor a explosão, movido a gasolina. A industria automobilistica porporcionou o consumo necessário à industria do petróleo, ambos os segmentos foram predominantes na economia do século XX e, ainda hoje, no século XXI.
Capa da Revista Scientific American, 13 de mao de 1899

Anuncio veiculo de propulsão elétrica - Revista Scientific American, 13 de mao de 1899


O motor elétrico foi inventado pelo físico britânico Michael Faraday, em 1822, quando ele estudava a relação existente entre eletricidade e magnetismo.



domingo, 4 de agosto de 2019

SOCIEDADE 4.0 A Uberização do Consumo e da Cultura

Apresentação utilizada na palestra ministrada na "Tarde Cultural", realizada no auditório da INFRAERO, no Aeroporto de Londrina, Estado do Paraná, em 03 de Agosto de 2019.

Arquivo disponível em PDF no link abaixo (basta clicar no nome):

Apresentação - "Sociedade 4.0 - A Uberização do Consumo e da Cultura"









domingo, 4 de novembro de 2018

Tecnologia e Educação: disruptura, inflexão e redimensionamento

Artigo de opinião publicado no jornal "Folha de Londrina" em 13 de setembro de 2018.

=========================================================

Tecnologia e Educação: disruptura, inflexão e redimensionamento

Prof. Dr. Roberto Bondarik
Palestrante, 
Membro da Academia de Letras 
Artes e Ciências de Cornélio Procópio (ALACCOP), 
Docente e Pesquisador da 
Universidade Tecnológica Federal do Paraná 
            
Desenvolvimento, tecnologia, indústria, trabalho e educação permeiam o atual momento que é de mudanças e incertezas. A tecnologia advém do conhecimento e promove impactos profundos na humanidade que já passou por três Revoluções Tecnológicas, transformadoras da sobrevivência e convivência social. Revolução significa mudança de paradigmas, disruptura de conceitos e inflexões que redimensionam os recursos humanos e materiais de uma sociedade exigindo preparo e melhor educação.
A primeira entre um milhão e 400 mil anos atrás, o domínio do fogo que aqueceu, melhorou e conservou os alimentos e sua absorção. Imaginam-se grupos humanos em torno de uma fogueira protegendo-se de predadores, conversando, trocando experiencias, transferindo conhecimento em um processo civilizador que moldou nossa evolução. A educação nasceu destas interações. A segunda, há dez mil anos, protagonizada pela agricultura e pecuária, melhorou a alimentação, sedentarizou grupos humanos, erigiu cidades e o Estado, gerando necessidades e o desenvolvimento de novas habilidades e capacidades que, supridas eram ensinadas às novas gerações. Aprendeu-se a trabalhar o cobre, o bronze e o ferro. Produziram-se riquezas, guerras e destruição, mas a colaboração prevaleceu e a humanidade sofisticou-se material, social e intelectualmente. A terceira foi a Industrial, surgida na Inglaterra do século XVIII. A produção a ser feita por máquinas, substituindo a força e as habilidades humanas. Suprimiu formas de organização do trabalho, fez surgir novas profissões, habilidades e necessidades. Transformações intensas que ainda não cessaram, dividindo-a em quatro grandes períodos, com outras revoluções rápidas, disruptivas, inflexivas, paradigmáticas, exigindo novas capacidades.
Da máquina a vapor da Primeira Revolução Industrial ao motor a combustão da Segunda em fins do século XIX e início do XX, com o uso intenso do aço, eletricidade, química fina, automóvel e linha de montagem. A humanidade aproximou-se com o telegrafo, telefone e o rádio. Mudaram-se conceitos, usos e costumes, a educação firmou-se como bem intangível dos povos.
O século XX foi marcado por conflitos, guerras e divergências, intensidade é a palavra que o define melhor. Em seu final a globalização impulsionou a Terceira Revolução Industrial, a tecnologia da informação e uma poderosa infraestrutura de comunicações. Investiu-se em áreas então impensadas: computadores, linguagem digital, comunicação via-satélite, conexão de equipamentos, maior difusão de informações, inteligência artificial, etc. Chegou-se a Quarta Revolução Industrial ou 4.0, discutida em editorial desta FOLHA (19/07), melhor expressada pela Internet, a rede mundial de computadores.
A Revolução 4.0 produz progresso, sofisticação, facilidades e gera angustias nas pessoas, a exemplo das revoluções tecnológicas anteriores. A rapidez e aplicação imediata de seus produtos faz com que uma parcela significativa da população mundial não consiga compreende-la e encontrar o seu espaço nos cenários produtivos que se desenharam. A fragilidade do trabalho, da qualificação profissional e do conhecimento nunca foram tão intensos.
A desqualificação se combate com educação, cada vez mais necessária, no ritmo das transformações tecnológicas, em especial as da informação e comunicação. Educação, cujos problemas no Brasil foram mostrados pela FOLHA (31/08), exige investimentos na formação de professores, capacitação contínua, redimensionando a pratica docente e sua importância. Sem bons profissionais motivados, comprometidos e com recursos materiais, não haverá condições do País adentrar ao novo mundo que emerge tomado por máquinas que não possuem compaixão e emoções. O professor é um modelo e exemplo forte na formação das gerações que já nasceram conectadas e digitalmente aproximadas.
Investir em educação, qualificar professores, preparar o País, viver a Revolução 4.0, envolvendo a sociedade é o mínimo que se espera do Estado. Tecnologia, educação e desenvolvimento capazes de enfrentar a disruptura, a inflexão e possibilitar o redimensionamento adequado de nossos recursos humanos e materiais. Uma ação, um comprometimento mais que político, social.

=================================================
Abaixo a versão para impressão:




sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Primeira partida de futebol transmitida pela televisão no Brasil

PRIMEIRA PARTIDA DE FUTEBOL NA TELEVISÃO BRASILEIRA

Prof. Dr. Roberto Bondarik

bondarik@outlook.com
profbondarik@gmail.com


Foi uma transmissão ao vivo, em preto e branco, conforme a tecnologia da época permitia.

Apesar das discussões, que podem ser acaloradas, em definitivo, a primeira partida de futebol transmitida pela televisão no Brasil foi um jogo entre  Sociedade Esportiva Palmeiras e São Paulo Futebol Clube, disputado em 15 de outubro de 1950 no Estádio do Pacaembu e foi vencido pelo primeiro (Palmeiras). 

Encontrei uma coluna um tanto que humorística no Jornal "Mundo Esportivo" de 20 de outubro daquele ano (1950), onde há uma referencia a esse jogo e a transmissão pioneira. 

O livro de Patricia Alves do Rego Silva, intitulado " TV Tupi: A pioneira na América do Sul", sobre a história da emissora de televisão Tupi também fala sobre a partida nesta data (obra disponível em http://www.rio.rj.gov.br/dlstatic/10112/4204434/4101419/memoria11.pdf  )

Em 18 de novembro de 1950, Levy Kleiman em sua coluna no jornal "Esporte Ilustrado" comemora a novidade tecnológica  que foi a transmissão pela televisão Tupi de seu primeiro jogo na cidade do  Rio de Janeiro. 

Foi um jogo entre o Clube de Regatas do Flamengo e Olaria Futebol Clube, transmitido também ao vivo e em sua integra. 

Em janeiro de 1951 a TV Paulista anunciava no jornal  "O Estado de São Paulo" a transmissão de partidas direto do Estádio do Pacaembu, durante o domingo. 

No mesmo janeiro de 1951,  a Federação Metropolitana de Futebol do Rio de Janeiro discutia sobre a cobrança de direitos de transmissão pela TV de suas partidas. 

O clube Botafogo de Futebol e Regatas, alegando defender o direito dos clubes chegou a pedir a proibição das transmissões afinal taxadas em Cr$ 3.000,00.

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Museus - Lugares da preservação da memória e da história

MUSEUS - LUGARES DA PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA E DA HISTÓRIA


Por: Roberto Bondarik



Há alguns anos fiz uma série de cards com fotos de museus que visitei, em especial aqui no Paraná. Era parte de um projeto meu de divulgação de assuntos de interesse histórico e tecnológico.
Acho pertinente republica-los por que antes o havia feito pelo Facebook, como deletei minha conta naquela plataforma creio que estas imagens tenham-se perdido.

Museu Paranaense - Curitiba 


Museu Histórico de Cornélio Procópio- Pr

Museu Histórico de Cornélio Procópio - Pr


Museu do Mate - Curitiba Pr

Museu do Expedicionário - Curitiba - Pr



domingo, 26 de agosto de 2018

Uma escultura mecânica - Engenhosamente artistica

UM ENGENHO ARTÍSTICO

Por: Roberto Bondarik

No encontro de motos realizado em 26 de Agosto de 2018 pela Promotos em Cornélio Procópio - Estado do Paraná - teve, é logico, muitas motos e motociclistas. Uma em especial me chamou a atenção: feita artesanalmente, reunindo uma série de peças e ornamentos não seriais. 

Equipada com um motor Wolkswagen (Fusca), montada sob pneus de charrete, com chaves de pressão como manetes, colheres de pedreiro de retrovisores, um inusual tanque de combustivel com visor, a "Moto do Carlão" chamou a atenção.

Abaixo a serie de fotos com essa "obra de arte contemporânea", fruto de muita criatividade e bom humor:









Retomada ... História & Informação : Um Mundo em Movimento

Ficamos quase que um ano sem postagens, os mais diversos motivos e justificativas poderiam ser elencados, usados e abusados!

Mas há um recomeço, uma retomada, o Mundo se encontra em movimento constante, a Geometria Divina não paralisa suas equações e as formulas da vida, da ação humana, o futuro é uma certeza.

Um novo foco, além da história do Paraná, do Norte Pioneiro e do Brasil será dado. A Ciência, a Tecnologia, a Educação, a Informação e o Conhecimento, a Produção, a Inovação e a Economia também serão lembrados e trabalhado. Um mundo todo se movimentando.

Vivemos um momento de rápidas transformações, de disruptura que é a quebra de conceitos, parâmetros e paradigmas há muito estabelecidos. Um momento marcado pela inflexão de modelos de produção, de desenvolvimento e porque não dizer de interação social que chegaram a um ponto de superação em que o novo ainda não se estabeleceu. Um momento em que a informação necessita ser precisa, confiável afim de ser transformada em conhecimento e este em riqueza.

Pensando a qualidade da informação passaremos a publicar recortes de noticias, links de jornais, videos de programas de televisão, documentários e trechos de filmes que auxiliem no trabalho de separar o joio do trigo, o fake do news, o conhecimento da ignorância.

A ignorância é o não saber ou o saber mal sobre algo ou alguma coisa.

"História e Informação: Um Mundo em Movimento" irá fazer sua parte. 

Nos leiam, nos usem e nos divulguem!!

.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

12 e 13 de Outubro - 87 anos do Combate de Quatiguá durante a Revolução de 1930

Em 12 e 13 de outubro de 1930, há 87 anos portanto, foi travado nas imediações da Estação Ferroviária de Quatiguá, o maior combate da Revolução de 1930. 
De incipiente povoado, Quatiguá tornou-se a cidade com o melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do Norte Pioneiro do Estado do Paraná.
Informações sobre o combate podem ser obtidas diretamente em meus artigos e entrevistas que dei a respeito, quase todas elas disponiveis neste blog.
Em 24 de julho de 2009 publiquei um video no Youtube em que mostro parte da história daquele combate.
O link para o video esta disponivel abaixo, aliás são duas partes:

PARTE 01:

PARTE 02:

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

História do Paraná - Palestra em curso da UENP

Dia 10 de outubro de 2017 estive ministrando uma palestra para o quarto ano do curso de Pedagogia na UENP em Cornélio Procópio.
Disciplina de Metodologia do Ensino de História daquele curso.
Pessoal atencioso e interessado, gostei muito de estar lá.

Quarto Ano do Curso de Pedagogia da Uenp em Cornélio Procópio
Palestra/Conversa sobre História, História do Parana e de Cornélio Procopio e região.

domingo, 1 de outubro de 2017

Visita dos Príncipes Britânicos ao Brasil, Paraná e a Cornélio Procópio em 1931: fatos, fotos e documentos

Durante os meses de março e abril de 1931 o então Principe de Gales e seu irmão estiveram em visita oficial ao Brasil. O futuro rei britânico Eduardo VIII (bem mostrado  no filme "O Discurso do Rei" e na série "The Crown" do NetFlix), esteve no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e no Norte do Paraná.
Já publicamos a respeito dessa visita que, em virtude de sua originalidade, é lembrada na história de Cornélio Procópio e da região.
Textos disponiveis em dois posts:


Os principes estiveram com autoridades brasileiras, foram recebidos pelo Presidente Getúlio Vargas, os Governadores de São Paulo, Minas Gerais e do Paraná, este em Cambará.
A história contada sempre se torna mais atarente quando também mostrada, sendo assim conduzi uma pesquisa em arquivos do jornal "O Estado de São Paulo" e da revista "O Cruzeiro" que, como orgãos de imprensa, apresentaram fotos, noticias e acompanharam essa viagem que ainda é lembrada por muitos.

Capa da Revista "O Cruzeiro", 21 de março de 1931
Edward, Principe de Gales, herdeiro do trono do Reino Unido, em 1931
(Fonte: Acervo da Revista "O Cruzeiro" disponivel na Hemeroteca da Biblioteca Nacional)
 Houve grande repercusão à época, as capas coloridas de "O Cruzeiro" eram bem produzidas e chamavam muito a atenção. O Imperio Britanico, seu poder militar e o alcance do poder economico financeiro de seus cidadãos, instituições e empresas atraiam pensamentos e aguçavam a imaginação das pessoas

O Rei Jorge V e o Principe de Gales
(Fonte: Revista "O Cruzeiro",n.20,  p.03, 21 de Março de 1931, Hemeroteca da Biblioteca Nacional)
Os principes chegaram ao Brasil após um longo tour que havia incluido Canadá, Chile e Argentina, entre outros destinos intermediários:

Capa da Revista "O Cruzeiro", 28 de março de 1931, Principe de Gales chega ao Brasil
(Fonte: Acervo da Revista "O Cruzeiro" disponivel na Hemeroteca da Biblioteca Nacional)

Houve uma recepção oficial no Rio de Janeiro:
 Principe de Gales e seu irmão sendo recepcionados pelo Presidente da Republica Getúlio Vargas
(Fonte: Revista "O Cruzeiro",n.22,  p.03, 04 de Abril de 1931, Hemeroteca da Biblioteca Nacional)
O Principe de Gales e seu Irmão no Palácio Guanabara no Rio de Janeiro:

O Principe de Gales e o Duque de York, juntos no Brasil, em destaque o títulos de ambos registrados ao pé da foto
(Fonte: Revista "O Cruzeiro",n.22,  p.05, 04 de Abril de 1931, Hemeroteca da Biblioteca Nacional)
Os principes visitaram empreendimentos britanicos no Brasil ou que recebiam investimentos deles. Alguns dos negocios visitados possuiam os proprios principes ou membros da realeza como acionistas, exemplo disso era a Ferrovia São Paulo - Paraná, ligando Ourinhos-Assunção no Paraguay. Sabemos que a estrada de ferro deteve-se em Apucarana-PR e depois prolongou-se até Maringá-PR, atingindo o centro do maior dos investimentos britanicos no Brasil àquele tempo: a "Companhia de Terras Norte do Paraná".
(Fonte: Revista "O Cruzeiro",n.23,  p.05, 11 de Abril de 1931, Hemeroteca da Biblioteca Nacional)

Também o jornal "O Estado de São Paulo" acompanhou e registrou a viagem ao Paraná: tratavam dos principes de Gales e de seu irmão que haviam passeado pela cidade de São Paulo.

"O Estado de São Paulo", terça-feira, 31 de Março de 1931, primeira página
(Fonte: Acervo do jornal "O Estado de São Paulo")
Um fato original e emblematico como este, mostrando o interesse que o Brasil despertava ou a importancia que possuia para os investimentos britânicos, torna-se mais atrativo quando apresentado junto de documentos que o comprovam, materializando-o.
(Fonte: Acervo do autor)

Em Minas Gerais os principes além de visitarem Belo Horizonte, sendo recebidos pelo Governador daquele Estado, estiveram também presentes em outro negócio, literalmente lucrativos, com controle britanico no Brasil: a Mina de Morro Velho. A mina tida como a mais profunda do mundo àquele tempo. 

Visita à Mina de Morro Velho
(Fonte: Revista "O Cruzeiro",n.25,  p.17, 25 de Abril de 1931, Hemeroteca da Biblioteca Nacional)
Relembramos mais uma página da história do Norte do Paraná, registrada em páginas da imprensa brasileira.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Municipio de Joaquim Távora: origens históricas ... em 1924

Prof.Me. Roberto Bondarik
bondarik@outlook.com 

Em 2017 o Município de Joaquim Távora completa oitenta e oito anos de emancipação politica e instalação, dados em 21 de setembro de 1929. Recebeu o nome do Capitão Joaquim Távora após a vitória da Revolução de 1930.
Suas origens remontam à posse da "Fazenda Jaboticabal da Barra Grande" estabelecida às margens do ribeirão Barra Grande que desagua no Rio das Cinzas. Posse reinvindicada por José Antonio Pinto da Fonseca que, em 1891, declarava te-la feita em 1850.
Os registros de medição da Fazenda teriam sumido em 1906, causando disputas e invasões, até que fossem regularizados pela ação dos advogados Affonso e Marins Camargo.
Em suas terras surgiu o povoado de "Barra Grande", "Barra do Cinzas" ou "Barra Velha" em 1910,  que foi transferido para o local onde, atualmente, é a cidade de Guapirama em 1917.
O "Distrito da Barra Grande" foi criado em março de 1920, sendo transferido para a povoação de "Affonso Camargo" que se formava onde passaria o Ramal Ferroviário do Paranapanema. Destacou-se na instalação desse povado e distrito, o fazendeiro Miguel Dias.
Em 1924, quando da inauguração da Ferrovia São Paulo - Paraná, em seu primeiro trecho entre Ourinhos-SP e Cambará-PR, com a entrega da ponte ferroviária sobre o Rio Paranapanema, um grupo de jornalistas e politicos vieram pelo Ramal do Paranapanema, de trem desde Curitiba até Affonso Camargo. Fazia parte do grupo o jornalista e também historiador Romário Martins. 
Romário Martins produziu uma serie de textos, descrevendo a viagem e principalmente a região por onde passaram. A coletânea "Sertão em Flor: o Paraná cafeeiro" constitui-se em um dos primeiros relatos descritivos, histórico, geografico, social e que demonstrou uma preocupação ecológica com os destinos do Norte do Paraná. A parte quatro do Sertão em Flor trata especificamente de "Affonso Camargo", seu fundador Miguel Dias, a economia e a produção local naquele distante junho de 1924, há 93 anos.
A seguir o texto em questão no qual procurou-se manter a ortografia vigente àquele tempo.

===============================================================
Sertão em Flor: o Paraná Cafeeiro - IV

“AFFONSO CAMARGO” SEDE DO DISTRICTO DE BARRA GRANDE – UM SERTANISTA DE VALOR – UMA FLORESTA DE PEROBEIRAS

Romário Martins


MARTINS, Romário. Sertão em Flor: o Paraná Cafeeiro – parte IV. O Dia, Curitiba-PR, pp.01 e 08, 22 jun. 1924.


            “Affonso Camargo” surgiu com a estrada de ferro. Seu fundador, Miguel Dias, emprestou, sem querer o seu nome ao logarejo de outrora. Era ahi, antes um sertão bruto, sem casas e lavouras, apenas habitado por esse sertanejo que se tornou celebre pela sua hospitalidade. Seu nome é conhecido de quantos se habituam ao sertão, e as amizades que conquistou perdem-se pelas regiões mais distantes de Minas e São Paulo.
            Miguel Dias é, na verdade, um sertanista sympathico, de feições leaes, de trato simples, mas sincero, comedido nos gestos e nas palavras, reservado, perscrutador, insinuante, positivo e ousado, sem se atrapalhar nos juízos que expede, sem perder a serenidade que o caracteriza.
            Deve-lhe a povoação – futura villa, tudo o que possue: as terras doadas, as ruas traçadas e abertas, o próprio local onde se assenta a linda estação, grande parte dos prédios que se erguem, a abertura de casas de negócio, hospedaria e outros melhoramentos notáveis.
            Existem actualmente 150 edificios, alguns bem acabados, outros de proporções avantajadas. Em derredor avista-se a matta rica de essências florestaes e de madeiras de lei. Duas serraria começam já a sua obra devastadora para atender reiteradas encomendas de S.Paulo.
            O pinheiro não existe. Substitue-o a peroba, o jequitibá, a canelleira, o cedro, a caviuna, a guajuvira, a cabreuva, o pao marfim e outras qualidades de madeira.
            Um movimento de carroças começa a sua faina entre a estação e Carlopolis, a villa mais próxima ligada por excelente estrada de rodagem mandada construir pelo Exmo. Sr. Presidente Munhoz da Rocha, a quem essa região nova deve já assignalados serviços.
            Uma outra estrada de rodagem, traçada e executada por um dos mais intelligentes lavradores dessa zona rica, o major José Infante Vieira, proporciona também vehiculos um trafego regular, transportando mercadorias da estação para Santo Antonio da Platina e Jacarezinho, ligação essa de poucos dias e para a qual o Presidente do Estado concorreu com um valioso auxílio em dinheiro.
            “Affonso de Camargo” será, dentro em pouco tempo, a sede um futuroso município. Os prédios que seus moradores começam a construir, dentro de um regimem sabiamente delineado pela previsão do benemérito fundador – Miguel Dias, já se apresentam dignos de uma cidade, sobre ruas e praças rigorosamente marcadas.
            Três hotéis attendem numerosa freguezia. Um deles mantem magnifico serviço de cozinha, quartos asseiados, garage para automóveis.
            As casas de commercio apresentam movimento considerável. Crescido número de forasteiros para ahi se dirige, á procura de terras para a abertura de sítios e fazendas. Dia a dia crescem as compras, avultam os negócios, effectuam-se largas empreitadas para a derrubada das mattas e plantio de cereaes.
            Alguns pontos do districto, os mais altos, prestam-se para a cultura do café, principalmente pelos lados da Pedra Branca, onde essa lavoura já se delinea, embora em pequena escala. Os outros logares são magníficos para a cultura do algodão, da cana de assucar, fumo, arroz, feijão e toda sorte de cereais. A engorda de porcos constitue, no momento, a maior riqueza.
            São na verdade admiráveis as florestas de peroba. Em uma faixa extensa, quase interminável, erguem-se milhares desses troncos de considerável diâmetro e altura, com suas frondes lá no alto, de folha meuda, sobre galhos retorcidos que se abrem para o sol. Enfileiram-se muito juntos dominando a matta. Assim erguidos, parecem indicar uma cultura adrede preparada, que muitas dezenas de anos de chuva e sol fizeram vingar, plenos de viço.
Encontram-se ás vezes arvores abatidas de fresco, pelo vendaval que conseguiu abrir os alicerces profundos, ou pelo machado inclemente do lenhador. Outras, o tronco já se confunde com o solo humano, sem casca, meio apodrecido pelo tempo, o mesmo tempo que o gerou e lhe deu todo explendor, que temperou o lenho para tornal-o aço rubro, de fibras retejadas, consistentes e longas. Causam piedade assim consumidos nomeio de companheiros mais afortunados que disfructam o grande banquete da Natureza, plenos de vida, dominando o azul do espaço, soberbos da sua força e da sua belleza.
Dentro em pouco, por ahi há de passar a indústria destruidora do machado e da serra. Derrubados, retalhados em toras, desdobrados em taboas, lá irão pelos trilhos a fora as perobeiras seculares, em demanda dos grandes centros, para a feitura do vigamento, das cobertas, do assoalho e dos batentes das casas.
Todo esse tronco desfeito embellezará cidades, será o pão de pobres operários suarentos, se transformará em riqueza de alguns, em metal espécie para o movimento dos bancos.
Desse sertão bruto restarão, por algum tempo, as raízes expostas e depois germinarão as searas que hão de florescer para os fructos, para a alegria do lavrador que as formou pelo trabalho constante.
Os troncos das perobeiras seculares não voltarão para reconstituir a matta de outrora; mas as searas hão de florescer todos os annos, com as chuvas e o sol das estações, e da mão do lavrador que enriquece passarão para outras mãos commerciantes até chegar ao seu glorioso destino: a vida humana. E ahi, por um prodígio de Deus, serão o sangue, calor, sentimento, intelligencia, vontade; luz dos olhos, pressentimentos, alegrias, lagrimas e dissabores, esperanças e desenganos. E como a perobeira que cresceu e teve pujança, que dominou pela força, que atrahiu a luz e as aves e que resistiu aos vendavaes de muitos annos, também esse outro tronco humano um dia tombará com o seu cortejo de esperanças, de sonhos e visões...






sábado, 18 de fevereiro de 2017

"A Estrada da Servidão" de Friedrich Hayek

Talvez essa seja a principal obra de Friedrich A. Hayek. Na época em que foi publicado foi considerado uma das mais significativas obras de sua geração, "The Road to Serfdom" foi um brado de alerta a respeito do autoritarismo e da intervenção estatal na economia e Mercado.

Esta deve ter sido a sua primeira publicação no Brasil (Agosto de 1945) trata-se de uma condensação na Revista Mensal "Seleções do Reader's Digest". Adquiri esse exemplar em sebo já há algum tempo, acredito que conhecimento deva ser compartilhado, como seria dificil para todos conseguirem a publicação original resolvi copiar cada pagina e compartilha-la por aqui.

Destaque-se que esta revista continua sendo publicada e distribuida no Brasil. Por meio dela, reportagens e especialmente condensações de livros, tomei contato com a cultura mundial, porque não dizer "Cultura Globalizada", desde o momento quem aprendi a ler.

Resolvi publicar essa sequëncia de paginas originais sob a forma de imagem devido a importancia desta obra, seu significado histórico e também por seu aspecto pitoresco.

(BASTA CLICAR NAS IMAGENS PARA AMPLIA-LAS)




























Para baixar o livro em sua versão integral publicada pelo Instituto Liberal clique no link a seguir: http://mises.org.br/Ebook.aspx?id=31