segunda-feira, 12 de setembro de 2011

CORNÉLIO PROCÓPIO, ITANGUÁ, MONTE CASTELO: TENTATIVAS DE ALTERAÇÃO DO NOME DE UMA CIDADE PARANAENSE


         Esse texto versa sobre o nome com o qual foi batizada a localidade e o Município de Cornélio Procópio e pelo menos duas das tentativas que houve, pelo menos uma bem sucedida inicialmente em seu propósito de alterá-lo.

Túmulo do Coronel Cornélio
Procópio Araujo Carvalho
 no Cemitério da Consolação
 em São Paulo
         A respeito do patrono do nome do Município, CORONEL CORNÉLIO PROCÓPIO DE  ARAÚJO  CARVALHO, cabe-nos dizer que ele foi fazendeiro, comerciante e empresário no Estado de São Paulo. Cornélio Procópio destacou-se durante o Império e o final do século XIX, nasceu em 06 de janeiro de 1857, no Bairro dos Carvalhos, Município de Aiuruoca, Sul de Minas Gerais. Faleceu em 22 de outubro de 1909 e se encontra sepultado no Cemitério da Consolação em São Paulo. Seu túmulo é considerado um exemplo de arte funerária. Seu titulo de coronel era decorrente da Guarda Nacional, indicando que Cornélio Procópio deve também ter sido um importante político na estrutura política do Império e da República Velha no Estado de São Paulo.

         Ao contrario do que muitos acreditam Cornélio Procópio não foi proprietário das terras do município com cujo nome é homenageado. O dono das terras era seu genro FRANCISCO DA CUNHA JUNQUEIRA que adquiriu a chamada Gleba Laranginha em 1924 após a morte de Cornélio Procópio como já vimos.

         Francisco da Cunha Junqueira resolveu então homenagear o sogro dando seu nome a uma das estações da Ferrovia São Paulo – Paraná que estava sendo construída e que cortava suas terras. Esta Estrada de Ferro já estava sob controle acionário da Paraná Plantations que possuía também a Companhia de Terras Norte do Paraná que seria responsável pela infra-estrutura e venda das terras na região entre as atuais Londrina e Maringá. A Paraná Plantations possuía como um de seus acionistas o Príncipe de Gales, herdeiro do trono britânico, que acompanhado de seu irmão o Duque de York e pai da Rainha da Inglaterra Elisabeth II, fez uma visita aos empreendimentos ingleses no Norte do Paraná (Cornélio Procópio e Jataizinho) em 1931.

         As terras de Francisco da Cunha Junqueira devido a sua extensão receberam duas estações que se tornariam centros urbanos, CORNÉLIO PROCÓPIO como já afirmamos e SANTA MARIANA, esta em referencia a esposa de Cunha Junqueira. Estas denominações decorreram de acordos estabelecidos com a direção da Ferrovia que até onde sabemos não se opôs a isso e teria ainda se comprometido a manter os nomes enquanto funcionasse esta via-férrea.

Ferrovia São Paulo - Paraná construção e projeto
(Fonte: Relatório do Interventor
 do Estado do Paraná 1932-39
Arquivo Publico do Estado)
Construção da ponte ferroviária
sobre o Rio Tibagi em Jataizinho
É possível que a compra das terras pelo genro de Cornélio Procópio tenha sido justamente motivada pela oportunidade de negócios que a perspectiva d construção dessa estrada de ferro que se estendia desde Ourinhos, no Estado de São Paulo, atravessava o Paranapanema atingindo Cambará e seguindo pelo Norte do Paraná. A ferrovia atingiria o rio Tibagi na antiga Colônia Militar do Jatahy (Jataizinho). Transposto o Tibagi, a ferrovia cruzaria toda a imensa gleba da Companhia de Terras Norte do Paraná, valorizando-as sem dúvidas até chegar em Campo Mourão. Seguiria depois para Guairá e vencendo o curso do rio Paraná seu projeto final era fazer a ligação com Assunção, capital do Paraguay. Toda uma imensa área do Paraná e do Paraguai seriam inseridos em uma nova realidade de produção econômica patrocinada pela Ferrovia São Paulo – Paraná e posteriormente Paraguai.

Desta forma diversas cidades desenvolveram-se  no entorno das estações que foram sendo instaladas ao longo desta ferrovia, localidades que receberam os nomes destas mesmas estações, algumas sofreram alterações posteriores, mas as que nos interessam no momento são: Cornélio Procópio e Santa Mariana.

O núcleo urbano de Cornélio Procópio, inicialmente chamado de Quilometro 125, foi planejado em um momento anterior ao estabelecimento do traçado da ferrovia, sendo seu loteamento posteriormente ajustado a ela. A cidade surge e cresce no entorno da Praça Brasil, sendo ali o núcleo administrativo e comercial iniciais da localidade. Em 1926 o loteamento inicial já se encontrava traçado.

O impulso migratório e civilizatório proporcionado pela São Paulo – Paraná foi intenso naqueles distantes anos iniciais da década de 1930. O Distrito Judiciário foi criado pela Lei 526 de 11 de Abril de 1935. A povoação cresceu e desenvolveu-se social e economicamente ao ponto de que em 15 de fevereiro de 1938 ser elevada a condição de Município. O município foi criado pela Lei nº 6.212 de 18 de Janeiro de 1938, desmembrando seu território de Bandeirantes. A Lei nº 6.213, também do mesmo dia 18 de Janeiro de 1938 criou a Comarca de Cornélio Procópio, devidamente transferida de Jataizinho, sendo seu primeiro Juiz o Dr. Antônio Baltazar Júnior, primeiro Promotor Público o Dr. Estevão dos Santos e primeiro Delegado Regional o Sr. Luiz dos Santos. O primeiro prefeito do município foi o Sr. Francisco Lacerda Júnior. Interessante que a mesma lei que criou o município de Cornélio Procópio também extinguiu o de Bandeirantes, situação revertida no dia 24 de janeiro do mesmo ano pelo Decreto nº 6.282.

Era o período da ditadura do Estado Novo conduzido por Getúlio Vargas, uma época especialmente conturbada no Brasil e no mundo quando a Segunda Guerra Mundial se arvorava no horizonte.
A Segunda Guerra Mundial fez surgir no governo brasileiro a preocupação de combater núcleos simpatizantes do Nazismo e do Fascismo dentro do país, como um era originário da Alemanha e outro da Itália, colônias e grupos de migrantes começaram a ser vigiados, além de japoneses. Com o estado de guerra declarado a estes paises, Alemanha, Itália e Japão, proibiram-se logo o ensino exclusivo nos seus idiomas e suas manifestações culturais nas diversas colônias existentes no Brasil. Ao mesmo tempo em que se iniciava uma política nacionalista para desenvolver sentimentos genuinamente brasileiros dentro do país.

Procurava-se dar uma identidade verdadeiramente nacional ao Brasil, com costumes, hábitos, práticas e heróis nacionais. Uma das formas encontradas foi a valorização do passado e das referencias indígenas, possibilidade primeira de ligação comum entre toda a nação e todos os brasileiros. A utilização de nomes indígenas passou então a ser estimulada e sugerida continuamente, sendo que foi nesse contexto que se editou o Decreto-Lei nº 5.901, de 21 de Outubro de 1943, que tratava sobre as denominações dos municípios, comarcas e distritos no país a serem daí em diante criados e ainda abria a possibilidade de alteração e revisão do nomes daqueles que já se encontravam estabelecidos e nomeados. O decreto regulamentava o processo de nomenclatura e possibilitava a sua mudança a cada cinco anos (nos anos terminados por 3 e 8) determinando a utilização preferencial de nomes indígenas.

Semanário "A Tribuna" com a
primeira  referência a Itanguá
(Fonte: Arquivo Loja Maçônica "Cavaleiros de Malta")
No ritmo ditado por essa lei surgiu em Cornélio Procópio no final daquele mesmo 1943 a noticia recorrente de que o nome da cidade seria alterado para uma denominação indígena: “ITANGUÁ”. O novo nome proposto, cujo significado era “PEDRA REDONDA”, teve o apoio de uns e oposição dos muitos que aqui já habitavam há algum tempo. Diversos municípios e distritos paranaenses criados naquele ano foram denominados em concordância com essa lei, a exemplo de Abatia, Apucarana, Andirá, Arapoti, Goioxim, Ibaiti, Itambaracá entre outros, todos denominados por leis e decretos de 1943 com base nessa nacionalização do Brasil.

Artigo de "Pauridias"
criticando o nome Itanguá
(Fonte: Arquivo Loja Maçônica
 "Cavaleiros de Malta")
 
O semanário publicado em Cornélio Procópio, “A TRIBUNA” editado por Nicolau Villas Boas, discutiu em diversos momentos por meio de seus articulistas a proposta de mudança do nome do município para Itanguá. O articulista JORBES em 12 de dezembro de 1943 comentou brevemente a respeito dessa idéia de mudança de nome. Em 1º de janeiro de 1944 foi a vez do articulista “PAURIDIAS” que acreditamos não seja outra senão Paulo Ribeiro Dias, simplesmente não aceitava essa mudança, listando uma série de localidades com o nome “ITA”, ou seja, “pedra” em tupi Guarani. Na verdade ele propunha que se fosse para mudar o nome já estabelecido que o fizessem em respeito a história, a cultura e a economia locais, propunha desta forma que se adotasse a denominação de “CAFERANA”. Julgava Paurídias que ele era mais adequado a realidade da região que era a cafeicultura.

Não sabemos por qual motivo, talvez pelo fato do decreto-lei mencionado estabelecer que a mudança dos nomes das unidades administrativas ocorrerem apenas nos anos terminado por 3 e 8, o projeto “ITANGUÁ” foi esquecido e não mais mencionado nos periódicos locais.
Outra tentativa de mudança do nome do Município de Cornélio Procópio ocorreu novamente no ano de 1946 quando a Guerra havia acabado e a Força Expedicionária Brasileira retornado vitoriosa da Itália. Por breve tempo o nome foi alterado para “MONTE CASTELO”. O Dr. JOÃO THEODORO relatou esse acontecimento no livro do Prof. ATILA SILVEIRA BRASIL publicado em 1988 por ocasião do cinqüentenário de emancipação política do município.

“Ainda durante a minha gestão como Prefeito, surgiu um fato importante. Tendo regressado da Itália a Força Expedicionária Brasileira, da qual faziam parte alguns procopenses, dentre eles Laércio Soares e Wilson Albino, por sentimentalismo, eles se lembraram que Cornélio Procópio está num alto, no ponto culminante da Serra do Laranginha. Lembraram-se da vitória brasileira de Monte Casino. Então, insistiram para que se mudasse o nome de Cornélio Procópio para o de Monte Castelo, que foi também um dos montes tomados pela Força Expedicionária Brasileira. Houve um movimento muito grande, algumas pessoas queriam, outras não” (BRASIL, Átila. Das Origens e da Emancipação do Município. Sem dados tipográficos, 1988).
Campanha da FEB na Itália 1944-45

A disputa a favor ou contra a mudança do nome da cidade deve ter se tornado uma disputa política intensa entre situação e oposição na qual os grupos se digladiavam para mostrar qual possuía mais apoio popular, pois chegava o tempo, após muitos anos, de ocorrerem eleições municipais.

O Prefeito e o grupo situacionista convenceram o Governador MOYSES LUPION que produziu o decreto necessário à alteração. A oposição liderada por JULIO MARIUCCI e GASTÃO VIEIRA DE ALENCAR eram contra mudança e a combateram. LUTGARD MARQUES foi o líder do movimento favorável a manutenção do nome Cornélio Procópio. Segundo João Theodoro o grupo fez protestos e teria chegado a contratar propagandistas de fora da cidade.

Quando o Governador Moysés Lupion veio a cidade para efetivar a mudança, foi surpreendido pela força do movimento e com o envolvimento popular que o pressionava a revogar a alteração. Diante dos protestos Lupion voltou atrás e o nome Cornélio Procópio se mantem até a atualidade. Como forma de compensar o Governador em sua intenção de homenagear a Força Expedicionária Brasileira, Júlio Mariucci comprometeu-se em fundar uma cidade em sua lembrança, o que efetivamente foi realizado com a fundação de SANTA CRUZ DE MONTE CASTELO.
Cornelio Procópio atual (2011) e área onde começou a povoação

(Fonte: Blog História e Informação)

Desconhecemos outras tentativas, pelos menos que tenham tido a repercussão destas duas aqui relatadas, de alterar o nome do Município de Cornélio Procópio.

domingo, 15 de maio de 2011

O DESTACAMENTO ALCIDES ETCHEGOYEN EM AÇÃO NO COMBATE DE QUATIGUÁ: AS PERSPECTIVAS CONSTRUÍDAS PARA A VITÓRIA MILITAR DA REVOLUÇÃO DE 1930 A PARTIR DO ESTADO DO PARANÁ


O DESTACAMENTO ALCIDES ETCHEGOYEN EM AÇÃO NO COMBATE DE QUATIGUÁ: AS PERSPECTIVAS CONSTRUÍDAS PARA A VITÓRIA MILITAR DA REVOLUÇÃO DE 1930 A PARTIR DO ESTADO DO PARANÁ

Este artigo foi apresentado no IV Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos de Defesa (ENABED IV) na Universidade de Brasília, no período de 19 a 21 de julho de 2010. Tema geral do evento: "A Defesa e a Segurança na América do Sul".

(Logo abaixo do resumo link para o acesso direto ao artigo)

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RESUMO:

IV ENABED - Seção Temática 03 "História Militar"
Prof.Me. Roberto Bondarik e demais participantes 

Com a consolidação da Revolução de 1930 no Rio Grande do Sul suas forças lançaramse para fora do Estado pressionando as demais forças militares a adesão ou enfrentamento. O Destacamento Alcides Etchegoyen, primeiro grupo pesado gaucho que atingiu o Paraná já insurgido, bateu-se com forças do Exercito, Força Pública de São Paulo e voluntários civis em Quatiguá, nos dias 12 e 13 de outubro de 1930. Forjou-se um combate moderno, com uso de artilharia, trincheiras e metralhadoras pesadas, os gaúchos lograram êxito e as tropas paulistas com consideráveis baixas recuaram. Assim sendo o objetivo deste trabalho é analisar o contexto factual do Combate de Quatiguá permeado pelas ações do Destacamento Etchegoyen. A técnica de analise utilizada é a micro-história, considerando-se Giovanni Levi sobre a utilização intensiva de documentos que a caracteriza. O estudo deste combate fez-se por reportagens da época, memórias, relatos orais, relatórios e documento oficiais. Neste combate consolidou-se a possibilidade da vitória militar da Revolução de 1930 com as forças da Legalidade, apesar da resistência pretendida em Itararé-SP, colocou-se definitivamente na defensiva. Os resultados em Quatiguá alertaram os generais no Rio De Janeiro para colocarem fim ao Governo de Washington Luis, abrindo o caminho do poder para Getúlio Vargas.


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O artigo como foi apresentado esta disponível neste endereço:









quinta-feira, 28 de abril de 2011

REPERCUSSÕES DO TEXTO DA VISITA DO PRINCIPE DE GALES A CORNÉLIO PROCÓPIO E “O DISCURSO DO REI”

REPERCUSSÕES DO TEXTO DA VISITA DO PRINCIPE DE GALES A CORNÉLIO PROCÓPIO E “O DISCURSO DO REI”



Entrevista concedida ao jornalista Marcelo Rocha
da RPC/Globo TV Coroados de Londrina
em 31 de Março de 2011

         De longe o O Discurso do Rei, Cornélio Procópio e o Norte do Paraná: Uma Relação de Oitenta Anos" deve ter sido o texto deste blog que mais repercutiu desde que o “História e Informação” foi colocado no ar. Foram mais de dois mil acessos em poucos dias, resultando inclusive em uma reportagem da Rede Paranaense de Comunicação, filiada a Rede Globo de Televisão, divulgada em todo o Estado do Paraná por meio dos programas “Revista RPC” no dia 02 de Abril à noite e “Paraná TV – Primeira Edição” no dia 03 de Abril de 2011.

         Um aspecto curioso é que a gravação da matéria se deu no dia 31 de Março de 2011 pela manhã. Exatamente no dia em que se completavam oitenta anos da chegada do Príncipe de Gales e do Duque de York a Estação Cornélio Procópio, no já distante ano de 1931. Coincidências existem ou o acaso não existe!
Revista RPC
Exibido nas Noites de Domingo
         Posso dizer que receberei até uma premiação pela repercussão e interesse despertado pela reportagem da RPC/Globo, pelo texto e porque não dizer pelo “História e Informação”: o Vereador Emerson Carazzai Fonseca propôs à Câmara Municipal de Cornélio Procópio uma “Moção de Aplauso” que foi devidamente aprovada e que em breve receberei. Também considero como premiação e reconhecimento as conversas que tive com muita gente, em grande parte pessoas que eu nem conhecia e falaram a respeito da reportagem e do trabalho. Fui procurado por estudantes e professores todos interessados ou curiosos, dei entrevistas e falei muito a respeito do trabalho e do blog que, aliás disseram estar "bombando".
(Fonte: Divulgação)
         Quando o escrevi sabia que era um tema interessante mas não imagina que repercutisse de tal forma, fico feliz por produzir noticias positivas envolvendo o nome da cidade de Cornélio Procópio. Isso é um alento para que possamos continuar pesquisando e escrevendo sobre nossa história local, do Norte Pioneiro do Paraná, do Norte Paranaense, do Estado do Paraná em geral e porque não dizer do Brasil. Sempre lembro porque esse episódio me marcou profundamente, e sempre marcará como um incentivo ao trabalho honesto e dedicado, que tempos atrás chegaram a me dizer que por eu não ter nascido em Cornélio Procópio não possuía berço, não era de “família tradicional”, etc, aquela balela toda pseudo-aristocrática. Acho que acabei entrando pela porta da ciência e tenho conseguido manter viva a conversa sobre história, aliás, conversa sobre Cornélio Procópio que afinal não é conversa, é discurso: “O DISCURSO DO REI”.
         Um ex-aluno meu, o Paulo Oliveira, copiou e editou a reportagem da RPC/Globo que pode ser assistida no Youtube no seguinte endereço:





         Obrigado a todos pela repercussão do trabalho e agora com tudo isso a responsabilidade de produzir novos e bons trabalhos aumenta.



segunda-feira, 28 de março de 2011

O DISCURSO DO REI, CORNÉLIO PROCÓPIO E O NORTE DO PARANÁ: UMA RELAÇÃO DE OITENTA ANOS


O Discurso do Rei, Cornélio Procópio e o Norte do Paraná
==== UMA RELAÇÃO DE OITENTA ANOS ====

Prof.Me. Roberto Bondarik
bondarik@utfpr.edu.br
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Campus Cornélio Procópio


O Discurso do Rei
                “O Discurso do Rei” foi em 2011 o grande ganhador do Oscar, premiação máxima do cinema norte-americano tendo recebido as premiações de melhor filme, diretor, ator e roteiro original. Foi considerado pelo público como o melhor filme no Festival de Toronto e recebeu ainda o Globo de Ouro de melhor ator de drama. Particularmente considerei esse filme muito agradável de ver. A história gira em torno do momento em que o Príncipe Albert, pai da atual Rainha Britânica se vê contingenciado a assumir o trono como George VI no lugar de seu irmão Eduardo VIII que renunciara para se casar com uma norte-americana divorciada. Desde criança Albert sofria com uma gagueira que o deixara em má situação toda vez que precisava pronunciar-se em público. Bem no filme vemos como um especialista auxilia o monarca a combater seu problema.
                Mas qual seria a relação desta história de superação com o Norte do Paraná? Digamos que ela é um tanto que pitoresca, uma ilustração que se destaca em seu passado, lembrando pois que, se a História não tivesse utilidade alguma pelo menos serviria para nos entreter e divertir. O Norte do Paraná foi objeto de interesse e visitação dos dois futuros monarcas ingleses cuja vida é retratada neste filme.
                Quando eram príncipes ainda, Edward e Albert estiveram no Brasil, corria o ano de 1931, ambos viajam o mundo como o Príncipe de Gales, herdeiro do trono, e o Duque de York, segundo na linha sucessória. Eles chegaram ao Brasil, desembarcando no Rio de Janeiro em 25 de Março de 1931 e receberam toda a atenção do Governo Provisório de Getúlio Vargas sendo-lhes designado como oficial para atender-lhes a todas as necessidades o General Tasso Fragoso, um dos mais importantes oficiais do Exercito àquele tempo.
Edward
Principe de Gales em 1919 
                A visita oficial à Capital da República durou cerca de três dias e os príncipes hospedaram-se no Palácio Guanabara. Verificaram-se as trocas de visitas protocolares, jantares, recepções bailes no Palácio do Itamaraty e também no local onde os visitantes se hospedavam. Quando se dirigiram depois a outros estados a visita foi considerada de carater semi-particular e houve recepções semelhantes as do Rio de Janeiro.
                Ao final dos três dias os visitantes seguiram até São Paulo e de São Paulo seguiram para o Norte do Paraná, conforme especificado no Relatório do Ministro de Estado das Relações Exteriores do Brasil, no ano de 1931, página 18 e seguintes:
                              
De São Paulo, os Príncipes seguiram para o Norte do Estado do Paraná em visita às terras da Companhia “Paraná Plantations”. Essa parte do programma foi arranjada de accôrdo com o desejo de sua Alteza Real de conhecer as propriedades da referida Companhia ingleza”.

Albert - Coroado como George VI
Pai da Rainha Elisabeth II
Como Duque de York acompanhou
o Principe de Gales ao Brasil
                Um dos funcionários da “Companhia de Terras Norte do Paraná”, subsidiaria da “Paraná Plantations” registrou essa interessante visita que marcou o período inglês na construção da Ferrovia São Paulo – Paraná e da ocupação da região onde hoje se ergue a cidade de Londrina. Segundo Gordon Fox Rule, o Príncipe de Gales, que se tornaria Eduardo VIII, era um grande acionista da “Paraná Plantations”, decorrendo daí seu interesse em conhecer as terras e as histórias que já deviam ser-lhe afamadas.
                A visita dos príncipes concentrou-se em Cornélio Procópio, que era naquele momento apenas uma estação ferroviária entregue havia pouco tempo, em 1º de dezembro de 1930, com uma povoação que dava seus incipientes passos. Havia aqui pátio de manobras, depósitos e os alojamentos dos engenheiros e condutores da construção da ferrovia que se estendia em direção a Jataizinho e as margens do Tibagi. Segundo Atila Silveira Brasil o relato sobre essa visita vale pelo seu aspecto pitoresco, pois os ingleses quase nada deixaram de sua breve passagem e permanência forçada nas terras da cidade que ainda seria erguida. Ficaram a ferrovia e as lembranças que vão se esvaindo.
                O relato mais interessante que temos dessa visita do Príncipe de Gales e do Duque de York a Cornélio Procópio e ao Norte do Paraná é justamente de Atila Silveira Brasil em seu livro “Das Origens da Emancipação do Município” (pagina 54-55), que versa sobre Cornélio Procópio.
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E O PRINCIPE CHEGOU
               Era março de 1931.
               No casario de madeira, construído pelos ingleses no aclive frontal da Estação Cornélio Procópio, havia grande alvoroço, preparando a recepção da real visita.
Arco de boas vindas ao Principe de Gales
e ao Duque de York em Cornélio Procópio em 1931
(Fonte: Blog Ferrovia São Paulo - Paraná)
               Colocaram no portão do condomínio fechado um enorme arco de madeira com a saudação “WELCOME” iluminada por lâmpadas elétricas.
               Na estação, o jovem agente também tomava suas providencias para aquela recepção.
               Lá pelas 11 horas, chegou o trem especial da Sorocabana, com a comitiva visitante. Os trens utilizados pela Estrada de Ferro São Paulo – Paraná eram bem menores, pois a estrutura dos trilhos não suportava excesso de peso. O trem especial entrou apitando, lento, no pátio da estação. O agente comandou a parada do trem, enquanto a comitiva de recepção, formada por ingleses, técnicos e poucos empregados da Companhia, preparava-se para receber o Príncipe de Gales.
Funcionários, familiares e moradores
sob o arco de boas vindas momentos
antes da chegada dos Principes
(Foto: Acervo Átila Silveira Brasil)
               Suspense na chegada. O trem permaneceu fechado durante alguns minutos. Então sua porta se abriu e começaram a descer os visitantes. Primeiro desceu Lord Lovat, depois Arthur Thomas e em seguida o Príncipe de Gales. Jovem claro, olhos e cabelos castanhos, de cerca de um metro e oitenta de altura, trajando um safári cáqui, de calças curtas, e com um chapéu caça-leão, modelo africano. Aparentava ter 30 anos [na verdade tinha 36].
               Feitas as apresentações, com os naturais beija-mão dos estrangeiros, os visitantes se encaminharam para as casas dos ingleses, onde ficava o escritório da Companhia de Colonização Norte do Paraná.
               Houve grande decepção, pois o sistema elétrico do arco com a saudação WELCOME falhou. Entraram e naturalmente foram tratar de negócios, pois o Príncipe era um dos acionistas da Paraná Plantations, financiadora da Companhia de Terras Norte do Paraná. Ele não veio em visita oficial, por isso não houve o natural aparato de segurança que acompanha os visitantes oficiais.
Estação Cornélio Procópio em 1932
(Fonte: http://www.estacoesferroviárias.com.br)
               Depois de duas horas, retornaram à estação. Decidiram ir a pé até à ponta da linha, que estava no Catupiri. Quando lá chegaram, o Príncipe que era grande atleta, decidiu que voltaria correndo até Cornélio Procópio. Não adiantaram as afirmações da longa distancia. O Príncipe correu e chegou normalmente, dando provas de sua grande vitalidade. Carros foram improvisados para trazer os suarentos ingleses do Catupiri, pois eles vinham caminhando com dificuldades entre os dormentes e as pedras do leito da ferrovia.
               Enquanto esperava seus companheiros, o Príncipe sentou-se num banco da plataforma e começou a conversar em português com o agente Antônio Marques Júnior. O agente surpreendeu-se com esse conhecimento real da língua portuguesa. Pediu informações sobre a qualidade das terras, sobre as madeiras das matas, sobre as principais lavouras, principalmente sobre o algodão, e até sobre leis. Segundo declarações do próprio Antônio Marques Júnior, “Como conhecia tudo isso, expliquei para ele”.
Mapa da Ferrovia São Paulo - Paraná
(Fonte: Blog Ferrovia São Paulo - Paraná)
               Depois o Príncipe disse que ia descansar so seu trem especial. Mas não foi. A comitiva foi até Jatay de carro, onde estava o grupo inglês preparando-se para o loteamento de Londrina. Conforme testemunha, o Príncipe foi recebido com usa comitiva em Jataizinho, pelo administrador dos ingleses, Elias Dequêch, permanecendo ali algumas horas, suficiente para participar da festa de batizado de Paulo, filho de Elias.
               Retornou o Príncipe de Gales tarde da noite. Depois de jantar, quase à meia-noite, despediu-se e o trem especial se pôs em marcha.
               Este relato vale mais pelo pitoresco, do que pelo seu valor histórico, pois os ingleses nada deixaram de sua curta permanência forçada em nossa Cornélio Procópio.
               O Príncipe de Gales tornou-se, em 1936, Rei Eduardo VIII da Inglaterra e no mesmo ano renunciou à coroa, para não renunciar ao amor de uma plebéia.
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                É bem plausível que os príncipes britânicos não tenham podido vislumbrar a frondosa Aruacária, pinheiro símbolo do Estado do Paraná, uma vez que adentraram em seu território pelo Norte. Tivessem vindo pelo Sul e com mais tempo, na época certa poderiam até ter conhecido seu fruto e quem sabe mesmo ter provado de suas matizes combinadas com diversas carnes no prato que conhecemos como entrevero.
Peroba-Rosa sendo serrada (desdobrada)
 em serraria do Norte do Paraná
(Fonte: Blog Ferrovia São Paulo - Paraná)
                É certo porém que o então Príncipe de Gales e o Duque de York tenham vislumbrado o porte, a altivez e a agradável coloração da Peroba-Rosa, árvore que por sua vez pode muito bem ser o símbolo do Norte do Paraná. Os visitantes chegaram em um momento em que a exploração dessa madeira encontrava-se se não em seu auge, pelo menos em ritmo bastante acelerado, com cidades florescendo e crescendo às margens da Ferrovia São Paulo – Paraná. A região cheirava a pó-de-serra e este possuía o aroma peculiar da Peroba-Rosa.  A incipiente indústria de beneficiamento da madeira, desdobrava milhares de metros cúbicos ao dia, enviando por via-férrea os caibros, vigas, sarrafos e tábuas que produzia para os mercados consumidores de São Paulo e Rio de Janeiro. Cidades que cresciam também em ritmo acelerado. Nós é permitido então concluir que Edward e Albert tenham também sentido o aramo e o perfume da Peroba –Rosa recém derrubada e desdobrada.

                Podemos fixar a chegada e a permanência dos Príncipes a Cornélio Procópio por volta de 29 ou 30 de Março de 1931, pois chegaram a Fazenda Morrinhos em 02 de Abril, conforme publicado pelo site “Estações Ferroviárias”. Nesta fazenda os ingleses pararam para descansar da viagem, neste lugar passaram todo o dia, participando de caçadas e festas esportivas.
Príncipe de Gales caçando na Fazendo Morrinhos
(Fonte: http://www.estacoesferroviarias.com.br)
Em 2 de abril de 1931, o Príncipe de Gales, o futuro Eduardo VIII, e seu irmão Jorge, o futuro Jorge VI da Inglaterra, estiveram na estação de Paula Souza [próxima a Botucatu – SP]. Os príncipes, de acordo com o correspondente da revistaNossa Estrada, Benvindo Lobo, vieram "fazer uma visita e realizar uma caçada de perdizes na fazenda Morrinhos, de propriedade doSr. Lineu de Paula Machado. Às 8 horas dava entrada nessa estação (Paula Souza) o grande especial de Suas Altezas, que era composto de 9 carros e conduzido pela locomotiva 809, tendo como maquinista João Antonio e chefe de trem Filenno Bucci. O desembarque da comitiva se deu às 13 horas, estando SS. AA. acompanhados pelas seguintes pessoas, (entre outras) (...) Dr. Lineu de Paula Machado, Dr. João Teixeira Soares, (...) Carlos Chagas, (...) e Dr. Gaspar Ricardo Junior, chefe da 4ª divisão, que representava a Sorocabana. Logo após o desembarque, dirigiram-se todos ao "Haras Expedictus" da fazenda Morrinhos, onde visitaram suas principais instalações. O pavilhão de caça, destinado exclusivamente a SS. AA., foi transformado em acomodações, decoradas finamente. (...) A excursão terminou às 23 horas e (...) Às 23:27, partiu desta Estação o Especial de SS. AA., com destino a São Paulo (...)" (Revista Nossa Estrada nro. 27, 1931).

                Os príncipes foram ainda até Belo Horizonte, onde os futuros Eduardo VIII  e George VI visitaram a mina de ouro de Morro Velho, em Nova Lima, mineradora pertencente também a britânicos. Retornando ao Rio de Janeiro passaram mais uma semana hospedados no Copacabana Palace Hotel, dedicando-se a assuntos particulares, visitas a empresas e istituições; Em São Paulo visitaram o Instituto Butantã, no Rio de Janeiro no Instituto Oswaldo Cruz, nos estaleiros da Ilha do Vianna, no Hospital dos Enfermeiros e o Colégio Anglo-Americano. Constou que essa visita incentivou muito o estudo da língua inglesa no Brasil.
                Por fim após receberem diversas condecorações do Governo Brasileiro e retribuir também com outras do Império Britânico, o Príncipe de Gales e o Duque de York partiram do Brasil, a bordo do navio “Arlanza”, em 12 de Abril de 1931. Deixaram a lembrança de sua visita e essa relação que pode ser apontada agora entre o premiado “O Discurso do Rei”, a cidade de Cornélio Procópio e o Norte do Paraná.

FONTES:
BRASIL, Átila. Das Origens da Emancipação do Município. [s.d.t]: Cornélio Procópio, 1988;
ESTAÇÃO PAULA SOUZA. Disponível em < http://www.estacoesferroviarias.com.br/p/paulasouza.htm > Acesso em 15 de Março de 2011;
REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL. Relatório do Ministro de Estado da Relações Exteriores no Ano de 1931. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1934. 


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domingo, 27 de fevereiro de 2011

Cidades e Vilas Desaparecidas do Norte Pioneiro do Paraná: ESPIRITO SANTO DO ITARARÉ


Cidades e Vilas Desaparecidas do Norte Pioneiro do Paraná
==== ESPIRITO SANTO DO ITARARÉ ====

Prof.Me. Roberto Bondarik
bondarik@utfpr.edu.br
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Campus Cornélio Procópio


                Dando continuidade a um texto anterior onde tratei sobre a localidade de São José do Cristianismo, desta feita abordarei outra cidade desaparecida do Norte Pioneiro do Paraná: Espírito Santo do Itararé, próxima a atual Ribeirão Claro e hoje sob as águas do lago artificial que abastece a Usina Hidrelétrica de Chavantes-SP. Usarei neste texto informações baseadas principalmente na obra de Ruy Chistovam Wachowicz – “Norte Velho, Norte Pioneiro” (WACHOWICZ, Ruy Chistovam. Norte Velho, Norte Pioneiro. Curitiba: Gráfica Vicentina, 1987, 178pp.). Mesmo assim ainda são poucas as informações que possuo sobre a formação desta localidade que podemos dizer tenha sido um dos embriões do Norte do Paraná.

                A antiga Espírito Santo do Itararé foi erguida na região próxima da confluência do Rio Itararé com o Paranapanema, a ocupação desta área data do século XIX, relatos nos informam que nas primeiras décadas daquele século uma mulher, provavelmente mineira havia ali se fixado junto com seu marido. Conhecida como Maria Ferreira, ela frequentemente levava alguns produtos e principalmente peles de animais para serem trocadas em Piraju-SP, para tanto fazia uso dos dois rios que eram navegáveis, descia o Itararé e depois subia o rio Paranapanema. Ao que consta seu marido, que era caçador, deveria ser um foragido da policia, pois nunca se aproximava da cidade quando Maria Ferreira para lá ia comerciar.

                No local onde Maria Ferreira habitou desenvolveu-se um porto, à margem esquerda do Rio Itararé, que recebeu o nome desta sua primeira habitante. Próximo ao porto, posteriormente em terras que pertenciam a Fazenda Taquaral desenvolveu-se o núcleo urbano de Espírito Santo do Itararé. A primeira doação de terras para a formação deste patrimônio data de 1894, mas é evidente que já havia ocupação urbana desde muito tempo antes disso. Com o avanço da ferrovia Sorocabana pelo vale do Parapanema e com a possibilidades de transporte assegurada, a cafeicultura avançou e atingiu o Norte do Paraná. O afluxo de pessoas aumentou cada vez mais e empurrou a colonização para o oeste.

                Um novo centro urbano acabou surgindo nas margens do riacho Ribeirão Claro, em terras mais altas e livres do mal que, a exemplo de São José do Cristianismo, também assolava Espírito Santo do Itararé, a malária e outras doenças palustres.

                Espírito Santo do Itararé foi sede de município, teve Igreja, delegacia postos de serviços do Governo Estadual, força policial, etc. A Loja Maçônica “Amor a Virtude" Nº 0776 do Grande Oriente do Brasil, fundada em 21 de Dezembro de 1901,  ali funcionou por um certo tempo e chegou a ter um razoável número de membros cuja participação pode ser identificada em diversas outras oficinas pelo Norte do Paraná pelo menos até a década de 1950.

                Em grande parte devido a malaria e a insalubridade do local, grandes algozes destes povoadores pioneiros, Espírito Santo do Itararé foi se esvaziando em prol de Ribeirão Claro. Em 13 de maio de 1908 a sede da municipalidade foi solenemente transferida para a aquele lugar, inclusive com a devida mudança na denominação para Município de Ribeirão Claro. A cerimônia contou com a presença de autoridades estaduais, locais e de Jacarezinho, município vizinho que já vicejava há algum tempo. E em 1911 foi instalada a Comarca de Ribeirão Claro cuja foto se encontra abaixo.


Autoridades presentes à instalação da Comarca de Ribeirão Claro em 1911

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Combate de Quatiguá no Youtube

Há um ano e meio atrás fiz esse pequeno filme com algumas fotos e slides sobre o Combate de Quatiguá durante a Revolução de 1930. Eu o postei aqui no blog, porém ficou muito pequeno o quadro, como eu o havia colocado no Youtube, em duas partes, coloco a seguir os dois endereços dos filmes:

= Primeira Parte =








= Segunda Parte =



terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Transferência de Comando da Terceira Divisão de Exercito - Santa Maria - Rio Grande do Sul

Dia 04 de Fevereiro de 2011 participei da cerimônia de transferência de comando da Terceira Divisão de Exercito em Santa Maria no Rio Grande do Sul. Assumiu o comando da Divisão que tem a alcunha de "Encouraçada" o General de Divisão Sergio Westphalen Etchegoyen, que por sua vez é neto de Alcides Gonçalves Etchegoyen o vencedor do Combate de Quatiguá em Outubro de 1930.

A cerimônia transcorreu no quartel do Regimento Mallet de Artilharia, chamado de "Boi de Botas", unidade que a exemplo da 3ª Divisão de exercito fez sua história na Guerra da Triplice Aliança, nome mais garboso para a Guerra do Paraguai.

A cerimônia em si me transmitiu bastante força mas ao mesmo tempo é simples sem deixar de ser garbosa. Fiquei bastante impressionado com a organização e harmonia da apresentação que se seguiu.

Aproveitei para desenvolver minhas pesquisas em Porto Alegre e também visitar alguns pontos de Santa Maria e conhecer esse importante centro que foi extremamente estratégico para a Revolução de 1930 e consequentemente para todo o contexto que se visualizou depois no Estado do Paraná.

Na ocasião pude conhecer e conversar pessoalmente com o Comandante do Exercito, General Enzo; com o comandante da 5ª Região Militar aqui do Paraná, General Adhemar e é lógico com o General Sergio Etchegoyen que assumia o comando da Divisão Encouraçada. 

Coloco na seqüencia as fotos que tirei junto com o General Enzo, o General Adhemar, com o General Etchegoyen e por fim da tropa formada durante a cerimônia:







terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CORNÉLIO PROCÓPIO - Km 125 da Ferrovia São Paulo - Paraná

==== CORNÉLIO PROCÓPIO ====
KM 125 DA FERROVIA SÃO PAULO - PARANÁ

Prof.Me. Roberto Bondarik
bondarik@utfpr.edu.br
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Campus Cornélio Procópio



Uma pergunta pode povoar a mente dos menos avisados a respeito do primeiro nome da cidade de Cornélio Procópio – Km 125: "Mas que Km 125 afinal de contas"? ... Da ferrovia podemos responder com toda a segurança!
A cidade de Cornélio Procópio surgiu e desenvolveu-se as margens da Ferrovia São Paulo/Paraná Ferrovia esta também detentora de interessante história que se confunde ou funde-se com a própria história do Norte do Paraná.
Projetada e iniciada nos anos de 1920, a "Ferrovia São Paulo/Paraná", fazia parte de um projeto de capitalistas de São Paulo, visando um objetivo maior de atrair para aquele Estado toda a produção de café que já se iniciava no Norte do Paraná, e também toda produção agrícola que porventura surgisse na região.
A ferrovia não se limitaria apenas ao Norte do Paraná, uma vez que cortaria todo o Estado de forma diagonal até Guaíra, as margens do Rio Paraná. Vale salientar que seu início é na cidade de Ourinhos (SP), como um ramal da ferrovia denominada Sorocabana. De acordo com os projetos e idéias originais, de Guaíra a ferrovia se prolongaria até Assunção, capital do Paraguai. Era como dissemos um projeto grandioso, e também caro e dispendioso. Vencer o sertão não era o principal problema, mas sim convencer investidores e angariar capitais.
Para a construção da ferrovia, havia necessidade de autorização ou concessão do Governo Federal, fator que não era problema, pois o mesmo era influenciado por São Paulo e Minas Gerais, dentro daquilo que se convencionou chamar "política do café com leite".
Quem obteve a concessão foi o grupo econômico liderado por Antônio Barbosa Ferraz, que fez construir o primeiro trecho da ferrovia ligando Ourinhos a Cambará, até uma importante fazenda do grupo. Devido a falta de capitais a construção ficou estacionada nessa localidade por um bom tempo.
A solução para a construção viria através da venda das ações da ferrovia para empresários ingleses, atraídos pela fertilidade e disponibilidades das terras no Norte do Paraná. Diga-se de passagem a possibilidade de bons lucros foi o melhor argumento.