quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Reportagem do Jornal Folha de Londrina sobre os oitenta e cinco anos do Combate de Quatiguá na Revolução de 1930

A FOLHA DE LONDRINA publicou em seu caderno do Norte Pioneiro, uma matéria feita pela Jornalista Rúbia Pimenta a respeito dos 85 anos do Combate entre gauchos e paulistas ocorrido em Quatiguá-Pr durante a Revolução de 1930.  Este Jornal tem prestado um grande serviço à região do Norte Pioneiro e ao Paraná resgatando e divulgando fatos de nossa história. A publicação ocorreu em 28 de outubro de 2015 e reproduzo o texto em seguida logo após os links do jornal com a reportagem:

http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--2711-20151028&tit=combate+de+quatigua+faz+85+anos

http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1--2712-20151028


Combate de Quatiguá faz 85 anos

Norte Pioneiro foi palco do principal combate da Revolução de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder

Rubia Pimenta
Especial para a FOLHA

PIMENTA, Rúbia. Combate de Quatiguá faz 85 anos. Folha de Londrina, Caderno Norte Pioneiro, p. 02, 28 out. 2015.

Quatiguá - O ano era 1930. No mês de outubro, o Brasil fervilhava, sentindo as consequências da crise econômica de 1929 e de uma iminente guerra civil. No Rio Grande do Sul tropas do Exército se rebelaram e exigiam a queda do presidente Washington Luiz, clamando pela posse de Getúlio Vargas. Nesse cenário, o Norte Pioneiro do Paraná teve um papel fundamental: foi palco do principal combate da Revolução de 1930, colocando os rebeldes gaúchos de um lado, e os militares paulistas, apoiadores do governo federal, do outro. 

"Foi, sem dúvida, o principal confronto, pois mostrou ao governo federal a força dos rebeldes. O Combate de Quatiguá envolveu mais 3 mil homens, militares profissionais de ambos os lados, e deixou muitos mortos", afirma o historiador Roberto Bondarik, que é estudioso do assunto, professor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em Cornélio Procópio. 
Logo após o estopim da revolução, apoiadores de Getúlio Vargas na região tomaram a ferrovia de Jaguariaíva. Uma tropa de elite da Brigada Militar gaúcha, formada por aproximadamente 300 homens, foi mandada para a região para fortificar o ponto. Esses militares travaram o primeiro combate com os paulistas, em Joaquim Távora, no dia 10 de outubro. A vitória foi dos gaúchos, que fizeram cerca de 50 prisioneiros.

Roberto Bondarik - Folha de Londrina 28/10/2015


Logo em seguida, os gaúchos se dirigiram a Quatiguá (na época um distrito de Joaquim Távora) para dominar a ferrovia ali localizada. "A ferrovia de Joaquim Távora, onde estavam, era de difícil defesa, e eles temiam ser cercados. A de Quatiguá era mais fácil de defender por ser próxima a uma serra e precipícios", conta Bondarik. 
O Norte Pioneiro era uma região considerada estratégica para ambos os lados. Por sua proximidade com São Paulo, os gaúchos viam ali uma importante passagem para chegar à Minas e ao Rio de Janeiro, enquanto que os apoiadores do governo federal desejavam frear a subida dos rebeldes para o restante do País. 
Outro fator importante para trazer o combate para a região foi o forte apoio que os cafeicultores deram à revolução. "Eram entusiastas de Getúlio e das ideias revolucionárias. Nas eleições presidenciais em Ribeirão Claro, um reduto getulista, todos os opositores foram presos e colocados sob a mira de metralhadoras para não votarem. Existiam fraudes descaradas nas eleições na época, com prisões e ameaças, por isso só venciam os grupos ligados às oligarquias de Minas Gerais e São Paulo. Tudo isso foi revoltando o país, até chegar ao estopim da Revolução de 1930", lembra o historiador. 



O PRIMEIRO COMBATE


O primeiro combate em Quatiguá ocorreu no dia 12 de outubro, quando os militares paulistas tentaram retomar a ferrovia do pequeno vilarejo, mas foram vencidos pelos gaúchos. "No cair da noite os paulistas se alojaram na região. O reforço gaúcho chegou no mesmo dia, liderado pelo coronel Alcides Gonçalves Etchegoyen, e visualizou a localização dos paulistas. Traçaram um bom plano, atacando-os já ao amanhecer", explica o professor.
O reforço gaúcho veio em seis comboios de trem, formando um destacamento inicialmente com 2.014 homens, fortemente armados com metralhadoras e canhões. Ao todo, cerca de 3,5 mil soldados combateram, dando a vitória aos rebeldes. Centenas foram feridos e mortos. Não é possível, no entanto, estimar a quantidade de óbitos. "O relatório do coronel Etchegoyen contabiliza cerca de 500 baixas para os paulistas, mas jornais e relatórios da época dão entre 20 e 200 mortos." 
A vitória gaúcha repercutiu em todo o país, ressalta o professor. "A forma como as tropas paulistas fugiram de forma desorganizada para seu estado, balançou o governo federal fortemente. O combate demonstrou a capacidade de logística de transporte dos rebeldes, sua organização e disciplina, além da determinação em vencer." No dia 24 de outubro de 1930, tropas revolucionárias marcham sobre o Rio de Janeiro e tomaram o poder, dando início a era Vargas.

Cidade guarda alguns rastros da história


Quatiguá – Na segunda-feira, Quatiguá completou 68 anos de sua elevação a município e, atualmente, possui cerca de 7,1 mil habitantes e ainda guarda alguns rastros desse importante combate. Um deles é o monumento erguido no meio da Praça Expedicionário Eurídes Fernandes do Nascimento, em homenagem aos combatentes que morreram no conflito. "Mas poucos são os que sabem da importância histórica. A maioria não entende, nem eu sei muito", admite o secretário de Finanças, Administração e Planejamento de Quatiguá, Álvaro Simonete. 
Entre a população mais velha, no entanto, muitos ainda contam casos de familiares que viveram aquele tempo. Entre eles o diretor de rádio Adailton Ribas Lopes, 68 anos. "Meu tio foi preso pelos rebeldes. Ele tinha uma fazenda com gado, e os soldados confiscaram tudo para se alimentarem. Ele contava que foi colocado em um buraco e obrigado a gritar ‘Viva Getúlio’", lembra. 
Um fato histórico, tomado como lenda por alguns, é que existem muitos soldados paulistas enterrados sob o monumento da praça. "Existem os relatos da época de que isso é realmente verdade, mas até hoje não encontrei uma comprovação documental. Ninguém desenterrou nada na praça para confirmar", afirma o historiador Roberto Bondarik. 
Segundo Bondarik, a chegada das tropas apavorou os moradores da pacata região na época. "Há relatos de que parte da população pensava que os gaúchos eram comunistas, outros diziam que eram assaltantes, baderneiros. Eles não tinham noção da revolução política que o país passava naquela época", analisa. 
O radialista lamenta o fato desse capítulo da história do município estar se perdendo. "Como as pessoas que viveram aquela época morreram, a nova geração pouco sabe dessa história. Nem mesmo as escolas a trabalham muito. Pouco material, como livros ou informativos, existem na cidade. Acredito que é um patrimônio da nossa região, e deveria ser melhor preservado e divulgado para a comunidade", sugere Adailton Lopes. (R.P.)

Rubia Pimenta
Especial para a FOLHA



Para fazer a referencia deste texto:

PIMENTA, Rúbia. Combate de Quatiguá faz 85 anos. Folha de Londrina, Caderno Norte Pioneiro, p. 02, 28 out. 2015.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

85 ANOS DO COMBATE DE QUATIGUÁ - REVOLUÇÃO DE 1930 NO NORTE PIONEIRO DO PARANÁ

Prof. Me. Roberto Bondarik
Docente e Pesquisador
 Universidade Tecnológica Federal do Paraná 
Campus Cornélio Procópio

Entre 3 e 24 de outubro de 1930 uma Revolução a partir do Rio Grande do Sul, Paraíba e Minas Gerais encerraria a República Velha no Brasil e colocaria Getúlio Vargas no poder. Surgida da revolta com a manipulação da eleição presidencial que derrotou Vargas, a Revolução foi potencializada pelo assassinato do seu candidato a vice, João Pessoa. O Paraná e o seu Norte Pioneiro foram essenciais para o sucesso do movimento.
A Brigada Militar e voluntários avançaram pela Ferrovia São Paulo-Rio Grande controlando-a até Porto União e União da Vitória em 4 de outubro. No mesmo dia em Ponta Grossa o governo local foi assumido por Alcebíades Miranda, comandante do 13ºRI que se rebelou. Ponta Grossa e sua posição estratégica representou metade da vitória da Revolução que avançou rumo a São Paulo.
Em Jaguariaíva no final do dia 3, rebeldes tentaram tomar a prefeitura e a sede da Policia, conforme o planejado deveriam controlar a ferrovia até a chegada dos gaúchos. Eles haviam tomado Barra Bonita (Ibaiti), Tomazina e Wenceslau Braz seus líderes eram Paulo Chueire da Colônia Mineira (Siqueira Campos) e o Major Infante Vieira. Estavam em preparação desde março de 1930. Gustavo Lessa, médico em Jacarezinho, Barbosa Ferraz em Cambará, os fazendeiros e engenheiros Moreira Lima em Ribeirão Claro e Coriolano de Lima em Santo Antônio da Platina já haviam atuado na campanha da Aliança Liberal de Getúlio Vargas. A eleição em Ribeirão Claro havia sido um show de arbitrariedades, prisão de opositores às véspera da votação controlada pela polícia, ocupação militar da cidade, etc.
Em Curitiba o Exército e a Policia Militar aderiram a Revolução na madrugada de 5 de outubro. O Presidente do Paraná, Afonso Camargo fugiu para São Paulo, deixando dez meses de atraso no pagamento de professores e policiais. O General Tourinho assumiu o Governo do Estado.
Castro no dia 7, sede do 5º Regimento de Cavalaria que fiel ao Governo Federal retirou-se para São Paulo, foi ocupada pelo Capitão Airton Playsant do 13ºRI que tomou Jaguariaíva e seguiu para Sengés. O esquadrão de cavalaria da Brigada Militar do tenente Trajano Marinho com seus duzentos homens rumou para o Norte Pioneiro, controlando Siqueira Campos dia 9 e na Estação Afonso Camargo (Joaquim Távora) no dia 10 enfrentaram e venceram uma companhia da Força Pública.
Recuado para a Estação Quatiguá o Esquadrão Marinho foi atacado dia 11. Em 12 de outubro as seis da manhã foram reforçados pelo chegada do 1ºBC do Destacamento do Coronel Alcides Etchegoyen, composto por tropas regulares do Exército e Brigada Militar, de grande poder ofensivo, com nove canhões trazidos desde Cruz Alta. Transportado por oito composições, tinha inicialmente 2.014 homens.
O Governo Federal concentrou tropas em Itararé e Ourinhos, eram do Exército e da Força Pública. Ocuparam Cambará, Ribeirão Claro, Santo Antônio da Platina e Carlópolis com objetivo de cortar a ferrovia em Jaguariaíva. A censura à imprensa e as informações pelo Governo Federal fizeram os soldados pensarem combater bandoleiros comunistas e não militares rebelados. Para tomar Quatiguá mandaram a Força Pública, o 4ºRI do Exército, sediado na Vila Quitaúna de Osasco-SP e legionários civis do Deputado Ataliba Leonel, eram mais de 1.800 homens. O ataque começou ao final do dia 12, a chuva torrencial e a escuridão da noite permitiram a chegada do Coronel Etchegoyen com reforços. Na alvorada do dia 13, quase dois mil gaúchos, apoiados pela artilharia, avançaram sobre os paulistas fazendo-os recuar em desordem. A falta de cavalos impediu a perseguição aos legalistas que abandonaram o Paraná destruindo barcos, e todas as pontes sobre o Paranapanema. Morreram muitos soldados de ambos os lados. Os rebeldes controlaram a região e quando iriam invadir São Paulo com destino a Bauru, o Sul de Minas e o Rio de Janeiro, Washington Luiz foi deposto e a Revolução declarada vitoriosa.
Em Sengés a partir do dia 14 houve a concentração de tropas rebeldes. Na Fazenda Morungava houveram combates, com duelos de artilharia. Bombardeio aéreo pela Força Pública paulista sobre Jaguariaíva e Sengés. A maior batalha da América do Sul em Itararé-SSP não ocorreu, já era 24 de outubro e a República Velha chegou ao fim.

O Paraná por sua posição geográfica, a ferrovia que o cortava e pela ação pronta de seus cidadãos foi fundamental para a transformação que o Brasil esperava naquele momento. A ação rápida dos paranaenses foi como um lava-jato limpando caminho para a mudança, a esperança e a construção de um Brasil novo.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Cornélio Procópio: origens históricas.

Texto publicado no Caderno Especial da Folha de Londrina em 15 de fevereiro de 2015.

FOLHA DE LONDRINA, Domingo, 15 de Fevereiro de 2015 – Ano 66 – Edição 20.112. CADERNO ESPECIAL CORNÉLIO PROCÓPIO 77 ANOS.  Pagina 12

Abaixo o texto original e a versão resumida (imagem) que foi publicada pelo jornal 


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Cornélio Procópio: origens históricas
Prof. Me. Roberto Bondarik
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
bondarik@utfpr.edu.br / profbondarik@gmail.com

Quando o Coronel Cornélio Procópio de Araújo Carvalho faleceu em 22 de outubro de 1909 talvez ele nunca imaginasse que seu nome fosse batizar um município com quase cinquenta mil habitantes no Norte Pioneiro do Paraná. Uma terra que nunca conheceu e muito menos foi proprietário. Cornélio Procópio nasceu em 06 de janeiro de 1857e Aiuruoca no Sul de Minas Gerais, foi fazendeiro e comerciante, encontra-se sepultado no Cemitério da Consolação em São Paulo. A história da cidade e município que leva seu nome possui raízes cravadas no tempo, seus registros remontam ao século XIX e são dignas de nota.
A região do sertão do Rio Congonhas foi mapeada e explorada em 1846 por Joaquim Francisco Lopes e John Henry Elliot, sertanistas sob as ordens do Barão de Antonina que era um fazendeiro dos Campos Gerais e dono de tropas de mulas. Buscavam eles os Campos do Paiquerê e uma rota para o Mato Grosso. Os dois exploradores firmaram naquele ano a “Posse do Congonhas” ou Fazenda Congonhas em nome do Barão. Foram eles que deram nome a esse rio em virtude da erva-mate (congonha) que havia em suas nascentes. Ela abrangia todas as terras em ambas as margens desde sua nascente até a foz no Rio Tibagi, englobava toda a bacia hidrográfica do Congonhas.  Não consta que essas terras foram colonizadas ou subdivididas naquele tempo. Em 1891 os herdeiros do Barão venderam grande parte de suas terras à Ildefonso Mendes de Sá. Nesta época os limites da Fazenda Congonhas são apontados nos mapas que mostram os lotes da Colônia Militar do Jatahy (Jataizinho). Olegário Rodrigues de Macedo e José Marcondes de Albuquerque compram a fazenda em 1893. Em 1900 Olegário tornou-se o único proprietário até vende-la à José Pedro da Silva Carvalho. Mesmo com tantos donos se revezando acredita-se que não houve ocupação efetiva das terras da Fazenda Congonhas. Situação que mudaria a partir da década de 1920.
A chegada da ferrovia a Ourinhos-SP em 1908 mudaram as perspectivas econômicas do Norte do Paraná. Surgiu um projeto de construção de uma estrada de ferro ligando Ourinhos até Assunção, capital do Paraguai, passando por Guaira. Em 1920 um grupo de empresários recebeu a concessão para a construção dessa ferrovia, faziam parte dele: Antonio Barbosa Ferraz e seus filhos Leovegildo e Braulio, Willie da Fonseca Brabazon Davis e Manoel da Silveira Corrêa. Receberam exclusividade da exploração, isenção para importação de equipamentos e componentes além de uma compensação de 28:800$000 (vinte e oito contos e oitocentos mil-reis) em terras ou o equivalente a 3.600 hectares por quilometro de estrada construída e em funcionamento. Em 1924 o primeiro trecho até Cambará ficou pronto mas por ali ficou até que empresários britânicos da Paraná Plantations adquirissem o controle da Ferrovia São Paulo – Paraná e a prolongassem até as terras da sua Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), de Londrina em diante. Construída pela empresa MacDonald, Gibbs & Co, de Londres a ferrovia atingiu Andirá em abril de 1930, Bandeirantes em Julho, Santa Mariana no Km 107 e Cornélio Procópio tiveram suas estações entregues em 1º de dezembro de 1930. Em 1931 chegariam às margens do Tibagi em Jataizinho e em 1934 com a conclusão da ponte ferroviário sobre esse rio seguiriam os trilhos pelo Norte do Paraná até ultrapassar Londrina.
O projeto da ferrovia e o seu traçado eram de conhecimento de muitos, aos ingleses interessava à estrada de ferro, cuja expertise dominavam, e as terras da CTNP. Por onde os trilhos passassem a possibilidade de valorização das terras era muito grande e isto atraiu a atenção de investidores paulistas que adquiriram as antigas posses e fazendas ainda de mata fechada pelo caminho. Assim Francisco da Cunha Junqueira, também fazendeiro e empresário em São Paulo adquiriu em 1923, terras da Fazenda Laranjinha, dando origem a gleba do mesmo nome. Eram terras por onde passaria a ferrovia e se estendiam das margens do Rio Laranjinha até o serro divisor de águas da bacia desse rio com o Congonhas. Cunha Junqueira era genro e ao mesmo tempo sobrinho de Cornélio Procópio e em suas terras projetou dois núcleos urbanos Santa Mariana, nome em homenagem a sua esposa e Cornélio Procópio em honra a seu falecido sogro. O projeto das duas futuras cidades já existia em 1924.
O envolvimento de Cunha Junqueira com o Partido Democrático de São Paulo, a Revolução de 1930, sua participação como Secretário da Agricultura e envolvimento com Revolução Constitucionalista de 1932 fizeram com que ele fosse exilado do Brasil. Sua esposa vendeu as terras e os projetos de colonização da Gleba Laranjinha para Francisco Moreira da Costa e Antônio Paiva Junior da Colonizadora Paiva & Moreira. Esta empresa que iria efetivamente conduzir a venda dos lotes urbanos e rurais das duas cidades e promover a sua colonização.
A outra parte do território do que hoje é Cornélio Procópio, a Fazenda Congonhas, foi adquirida em 1923 por Antônio Barbosa Ferraz e seus filhos da Companhia Agrícola Barbosa, de Cambará. Comprada de José Pedro da Silva Carvalho, a Fazendo Congonhas teve a sua posse contestada por herdeiros do Barão de Antonina em um processo judicial demorado mas ao final vencido pela Cia Barbosa que teve como advogado Francisco Morato. Os Barbosa possuíam influência junto ao Governo do Paraná, sendo que Bráulio Barboza Ferraz era prefeito de Cambará quando o Estado financiou e a prefeitura de Cambará construiu uma rodovia carroçável desde aquela cidade até Jataizinho, concluída em 1929. Foram construídas pontes com base de pedra e concreto sobre os rios das Cinzas e Congonhas, passando próximo a Carvalhopolis (Abatiá) e Santa Amélia, cruzava o rio Laranjinha e seguia pelo bairro Igarapava já em terras procopenses e atingia a Gleba Congonhas próximo à Casa João Paulo II já nos limites urbanos atuais de Cornélio Procópio. Em algum lugar ali foi erguido do “Armazém Velho” onde um representante da Cia Barbosa levava os compradores até seus lotes adquiridos. Às margens da rodovia e no centro da gleba foi planejado e instalado o centro urbano de Congonhas, o primeiro a ser levantado no que é hoje o município recebendo compradores desde a conclusão da estrada. A ferrovia chegaria a Congonhas em 1931.

As duas glebas, Congonhas e Laranjinha, deram origem ao Município de Cornélio Procópio, suas terras se limitavam no que hoje é a cidade sendo que cerca da metade da área urbana pertencia a cada uma delas. Sem a ferrovia e sem os investidores que vislumbraram possibilidades de negócio na região com certeza iria demorar um pouco mais para que o Norte do Paraná se integrasse de forma produtiva, gerando riquezas, ao Brasil.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A REGULAMENTAÇÃO DAS EDIFICAÇÕES EM MADEIRA E ALVENARIA EM JOAQUIM TÁVORA E QUATIGUÁ EM 1937



Professor Mestre Roberto Bondarik
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
bondarik@utfpr.edu.br / profbondarik@gmail.com


Em 1937 a Câmara de Vereadores de Joaquim Távora resolveu disciplinar as construções nas ruas e avenidas principais da cidade de Joaquim Távora e de seu então Distrito de Quatiguá. As construções novas em madeira foram proibidas e aquelas existentes quando reformadas ou precisassem de pintura nova deveriam ter pelo menos a sua fachada edificada em alvenaria (tijolos). A mesma lei deu isenção do imposto predial por cerca de quatro a cinco anos para aqueles que fizessem novos prédios em alvenaria. Imagina-se que as ruas atingidas por essa lei fossem ruas comerciais e de movimento, o objetivo da Câmara e da Prefeitura deve ter sido dar um ar de organização, modernização e prosperidade à sede do Município e a seu principal Distrito.

É muito comum ainda vermos nas ruas das duas cidades, Quatiguá e Joaquim Távora, estes prédios comerciais e mesmo residenciais com a fachada em tijolos e o restante em madeira. Nas fotos abaixo esta um exemplo desses, o antigo estabelecimento do Sr. Orlando Pontes na Avenida Dr. João Pessoa em Quatiguá, as imagens foram tiradas em 07 de Junho de 2006.

(Fonte: Roberto Bondarik - 07 de Junho de 2006)

(Fonte: Roberto Bondarik - 07 de Junho de 2006)

Interessante que esse prédio mantinha pelo menos duas de suas portas ainda originais enquanto a terceira já era modernizada, basculante de enrrolar.


O antigo hotel de Quatiguá, hoje demolido, também foi exemplo de uma construção parte em alvenaria e parte em madeira.


Abaixo o texto da lei nº 13 de 03 de Julho de 1937, publicada pelo jornal "O Estado" em Curitiba em 13 de Novembro do mesmo ano, página 07.

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Lei nº 13 de 03 de Julho de 1937, do Município de Joaquim Távora




            O cidadão João Paes Carvalho Filho, Prefeito Municipal de Joaquim Távora, Comarca de Santo Antônio da Platina, Estado do Paraná.

            FAÇO saber a todos os habitantes do Município que a Câmara Municipal decretou e eu sanciono a Lei seguinte:

            Art. 1º - Ficam proibidas as construções de casas de madeira nesta Vila, nas ruas 21 de Setembro e Barra Grande, nos trechos compreendidos da Avenida Paraná à rua Ipiranga, e nas ruas Jerônimo Vaz Vieira e Munhoz da Rocha, nos trechos compreendidos da rua 21 de Setembro à rua Barra Grande. Ficam também proibidas as referidas construções na avenida Paraná. Idêntica proibição é extensiva à Avenida João Pessoa no Distrito de Quatiguá.
            Parágrafo Único – Só é permitida a reconstrução (reforma, pinturas, etc) das frentes de casas de madeira existentes nas ruas e avenidas a que se refere o Art.1º, se a frente das mesmas forem construídas em alvenaria.

            Art. 2º - Só é permitida a construção de casas de madeira nos trechos de ruas a que se refere o Art.1º, cinco (5) metros para dentro do alinhamento, construindo na frente muro ou mureta.

            Art. 3º - Nenhuma construção poderá ser feita sem a previa aprovação da respectiva planta pela Prefeitura.

            Art.4º - Fica o Executivo autorizado a conceder isenção de imposto predial por quatro (4) anos a todo o proprietário de prédio de alvenaria ainda não lançado, que for construído nesta Vila e no Distrito de Quatiguá, dentro de cinco (5) anos, a contar de 1º de Janeiro de 1937 a 31 de Dezembro de 1941.
            Parágrafo Único – Não gozará da isenção de impostos a que se refere este Artigo, o prédio ou parte de prédio construído de madeira, contiguo à construção favorecida.

            Art. 5º - Revogam-se as disposições em contrário.

            MANDO, portanto, a todos aqueles a quem o conhecimento e observância da presente Lei pertencerem, que a cumpram tão inteiramente como nela se contem. O Secretario a faça imprimir, publicar e afixar.


Gabinete da Prefeitura Municipal de Joaquim Távora, em 3 de Julho de 1937.



João Paes Carvalho Filho
Prefeito Municipal

Francisco Benedetti
Secretario Contador Int.



Publicado no jornal “O ESTADO” – Curitiba, Terça-feira, 13 de Julho de 1937, p.7

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

ATRAIR O PARANÁ PARA O CORAÇÃO DOS PARAENSES

Este artigo foi publicado dia 07 de Outubro de 2014 no Jornal "Folha de Londrina". Intitulado "Atrair o Paraná para o coração dos paranaenses", é um artigo em que apresento e comento as principais obras de infraestrutura no Norte do Paraná, o longo tempo que passou desde foram executadas e a falta de obras mais modernas que produzem um isolamento do Norte do Paraná, tornando-o uma "ilha isolada" do desenvolvimento e do restante do Estado do Paraná. Abaixo a integra do artigo e o recorte da edição impressa:

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Atrair o Paraná para o coração dos paranaenses
Prof. Me. Roberto Bondarik
Docente e Pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Cornélio Procópio

            Instigante o Caderno Desafios 2015 da Folha que aponta ser o Norte do Paraná uma ilha isolada do desenvolvimento do Paraná e do Brasil. Nos faltam meios de transporte e o entrave logístico apontado é evidente e angustiante: faltam estradas e ferrovias eficazes.
            No início da ocupação do Norte do Paraná já havia a mentalidade de que não bastava a fertilidade das terras, era necessário escoar a produção para transforma-la em riquezas. O povo vivia rezando, dançando, caçando e esta era a vida no sertão na entrada do século XX. Em 1901 Antônio Francisco de Paula Souza, diretor da Escola Politécnica de São Paulo apresentou à Assembleia Paulista e as vantagens de atrair o Norte do Paraná para a orbita da economia de São Paulo.
Surgiram projetos para a ligação ferroviária desde Guaíra-PR ao Porto de Santos. Apesar das posições do Paraná de que tais projetos iam contra seu plano ferroviário, a viabilidade dos projetos coube aos paulistas com base na ideia de que onde houvesse café ai deveria estar São Paulo. A chegada da Ferrovia Sorocabana a Ourinhos-SP em 1908 ampliou a influência paulista na região. Em 1920 foi autorizada a Ferrovia São Paulo-Paraná que partindo de Ourinhos, deveria cruzar o Rio Paraná em Guaíra atingindo Assunção no Paraguai. A companhia era constituída por investidores paulistas e o principal deles era Antônio Barbosa Ferraz e seus filhos da Companhia Agrícola Barbosa de Cambará, atingida pela ferrovia em 1925. O preço da terra subiu de cinquenta mil reis para cerca de dois contos e quinhentos mil reis.
Britânicos assumiram em 1928 o controle da São Paulo-Paraná estendendo-a até as terras da Companhia de Terras Norte do Paraná, de Londrina para diante. Em relação a esse meio de transporte e simplificando o raciocínio, os projetos da estrada de ferro que liga a região de Londrina até São Paulo tem mais de noventa anos: o desenvolvimento tecnológico e a natureza da economia regional transformaram-se muito nesse tempo todo tornando-a obsoleta. A conclusão do Ramal Ferroviário do Paranapanema entre Jaguariaíva e Jacarezinho em 1930 atraiu em parte a produção do Norte Pioneiro para Curitiba e Paranaguá, os compradores continuavam em São Paulo. A região ficou mais ligada a São Paulo e isolada do Paraná: a ideia de ilha tomava corpo.
            A ligação rodoviária com São Paulo sempre foi melhor do que com o restante do Paraná. Em 1929 o Governo do Paraná pagou e a Prefeitura de Cambará executou a construção de uma estrada de rodagem que saindo de sua sede atingiu Jataizinho em 1929 passando por Cornélio Procópio.
            A ligação do Norte com o Paraná tomaria corpo apenas com a construção de 1935 e 1940 da estrada de rodagem entre Curitiba, Pirai do Sul e Jataizinho A Estrada do Cerne era concretização do lema do Interventor Manoel Ribas de “Atrair o Norte para o nosso coração”, projeto para integrar a região em definitivo ao Paraná. A partir de 1961 a Rodovia do Café concluía esse projeto de integração logística em conjunto com a Ferrovia Central do Paraná em 1975 ligando Apucarana até Ponta Grossa.
Já se vão 74 anos desde implantação da Estrada do Cerne, 53 desde a Rodovia do Café e 39 anos desde a Ferrovia Central do Paraná e o Norte do Paraná transformou-se novamente em uma região isolada do restante do Estado sem condições logísticas de desenvolver-se. Não há estradas duplicadas, ferrovias modernas ou projetos a curto prazo que revertam isso rapidamente.

O principal desafio para o futuro é integração com o restante do Paraná por meio de um desenvolvimento econômico equitativo e eficaz, que dê condições de investimento para todos e em todo o Paraná. Definitivamente é preciso atrair o Paraná para o coração dos paranaenses, o Paraná precisar ser uno, desenvolvido e com qualidade de vida e de trabalho para todos.









quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Enchentes do Tibagi: um problema mais do que secular

Em 19 de setembro de 2014 o jornal "Folha de Londrina" publicou um artigo meu em que discutir a apresentei alguns dados históricos a respeito das enchentes ocorridas no Rio Tibagi.
Pelo menos desde de 1846 elas são registradas e tiveram de ser entendidas afim de que ocorresse a colonização da região.
Segue o texto e a imagem com a cópia original da publicação.
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Enchentes do Tibagi: um problema mais do que secular

Prof. Me. Roberto Bondarik
Docente e Pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Cornélio Procópio

            A reportagem especial da FOLHA neste domingo (14/09/2014) a respeito dos problemas que o Paraná tem sofrido com intempéries fez com que a minha atenção fosse chamada para os problemas relacionados às enchentes em Jataizinho. Nos últimos anos temos presenciado cheias com elevado volume e poder destrutivo. Apesar da reclamação e do clamor por obras de infraestrutura afim de dar vazão às águas da chuva, canalização de rios, a também alegada culpa atribuída a Usina Hidroelétrica de Mauá, no Rio Tibagi, algo que merece melhores e profundos estudos, a questão principal é que a enchentes em Jataizinho são mais antigas que se possa ter ideia. Uma história que precisa ser conhecida afim de melhor se planejar o presente.
            O problema das enchentes do Rio Tibagi já foi detectado quando do início da exploração e mapeamento do então Sertão do Tibagi na década de 1840 afim de, a mando do Barão de Antonina, estabelecer-se um caminho terrestre e fluvial que ligasse o litoral do Paraná ao Mato Grosso. O sertanista Joaquim Francisco Lopes e o mapista norte-americano John Henry Elliot, responsáveis pelo registro de posse dos campos de São Gerônimo, Santa Barbara e da posse da Fazenda Congonhas para o referido Barão. Em seu trabalho exploraram e descreveram toda a região. As margens do Rio Tibagi, abaixo do ribeirão Jatahy prestava-se à navegação e decidiu-se logo pelo estabelecimento de um porto e de um povoamento que deveria ser uma colônia militar.
Optou-se pela foz do Jatahy para o estabelecimento desse entreposto, porém John Henry Elliot também já havia se inclinado a escolher a foz do Rio Congonhas, bem mais abaixo no curso do Tibagi e próxima do Rio Paranapanema. Estudando a foz do Congonhas em 10 de novembro de 1847 Elliot e Lopes escolheram aquele local como o mais indicado para se estabelecer o porto de embarque para as mercadorias que desde Antonina aqui no Paraná, deveriam seguir até Cuiabá no Mato Grosso. Achavam eles que aquele lugar era o mais seguro em virtude da proteção que daria às canoas de transporte que poderiam ser arrebatadas pelas enchentes do Tibagi. Este relato foi publicado pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 1848 (p.174). Ou seja as cheias do Tibagi assustam as pessoas desde o início das explorações da região. Por motivos outros a Colônia Militar do Jatahy, hoje Jataizinho, foi instalada mais acima.
O conhecimento das cheias do Tibagi possibilitou que tanto o casario da Colônia Militar como o do Aldeamento de São Pedro de Alcântara, alguns quilômetros rio abaixo, fossem erigidos em locais elevados e protegidos, colocando as suas populações em segurança. O excesso de chuvas àquele tempo, a exemplo de hoje, também causou problemas por diversas vezes aos poucos moradores do Jatahy nos primeiros tempos. Em 1863 metade da produção de milho foi perdida em virtude das chuvas e a subsistência dos moradores ficou prejudicada. A população local em virtude da grande distância com outros centros sempre foi pequena.
O crescimento da população de Jataizinho após a chegada da ferrovia na década de 1930 e a ocupação urbana da margem do Tibagi e dos seus afluentes fazem com que hoje a cada chuva mais forte o rio retome sua antiga área de escape, mesmo sendo ela hoje escriturada e dotada de rede de captação das águas das chuvas. Nos parece óbvio que algo deve ser feito para solucionar o problema das enchentes e das pessoas por elas atingidas, mas há que se lembrar da história e natureza do Rio Tibagi.



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Maquinas Agrícolas Antigas

Em dois de setembro de 2014 irei ministrar uma palestra sobre evolução histórica da agricultura durante a EXPOCOP (Exposição de Cornélio Procópio-Pr).
Para entrar no clima estou anexando algumas imagens de máquinas agrícolas, algumas do século XIX ainda e criadas nos Estados Unidos da América.





sexta-feira, 27 de junho de 2014

Atentado de Sarajevo: um tiro que acertou em todo um século

Artigo publicado no Jornal Folha de Londrina de 25 de Junho de 2014 na sessão "Espaço Aberto". Ele trata do acontecimento que foi o ultimo dos fatores que provocaram o inicio da Primeira Guerra Mundial, o assassinato do Príncipe Herdeiro da Áustria-Hungria Franz Ferdinand (Francisco Ferdinando) em 28 de Junho de 1914 pelo nacionalista ou fundamentalista sérvio Gravilo Princip (ou Prinzip).
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Atentado de Sarajevo: um tiro que acertou em todo um século
Roberto Bondarik
Docente e Pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Cornélio Procópio

            Dia 28 de junho, em plena Copa do Mundo de Futebol, é bem possível que se passe desapercebido o centenário do ataque que tirou a vida do príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro Franz Ferdinand e sua esposa Sofia. Disparados por Gravillo Prinzip, membro de um grupo nacionalista sérvio os tiros que mataram o Príncipe também ceifaram mais de oito milhões de soldados que combateram na Primeira Guerra Mundial. Conflito que nos dizeres de Eric Hobsbawm deu início ao “Breve Século XX”. O cenário político da Europa e do mundo se modificaram permanentemente e a relações internacionais passaram a ser pautadas pelas suas consequências.
            A Mão Negra planejou o atentado pretendendo a independência da Bósnia-Herzegovina ou sua anexação ao Reino da Servia e sua ação fez disparar um complexo sistema de alianças diplomático-militares que a partir de agosto de 1914 colocariam a civilização ocidental em alerta. Aliada da Alemanha e do Império Turco-Otomano a Áustria-Hungria pertencia a Tríplice Aliança que se contrapunha à Tríplice Entente da Rússia, França e Grã-Bretanha. Pressionada pela Áustria-Hungria a Servia foi apoiada pela Rússia. Como peças de um dominó macabro as declarações de guerra e invasões se sucederam. Por quatro longos anos a Primeira Guerra Mundial ceifou as vidas de toda uma geração de europeus em suas trincheiras. Era o ápice de uma escalada de fatores que provocaram a guerra: imperialismo, disputas comerciais, politicas nacionalistas, desejo de vingança por guerras anteriores, etc.
            A arte de matar evoluiu tecnologicamente em escala industrial surgiram ou foram aperfeiçoadas novas armas e técnicas de combate como a metralhadora, o tanque, o avião de caça e bombardeio, o submarino, gazes venenosos, etc. A vida humana aparentemente era um número sem valor.
            Ao findar 1918 a Europa e o mundo não mais seriam os mesmos, os disparos em Sarajevo haviam ferido de morte os grandes impérios. Com seus territórios drasticamente reduzidos a Alemanha tornara-se uma república, também a Áustria agora separada da Hungria e ambas isoladas do mar. Outros países seriam criados ou recriados como Finlândia, Polônia, Tchecoslováquia e Iugoslávia. Os bolcheviques conduziram sua Revolução na Rússia e a transformando-a em União Soviética. A desesperança com a democracia liberal abriria caminho não só ao comunismo como também aos seus congêneres totalitários do nazismo e do fascismo. Grande beneficiário econômico do conflito os Estados Unidos da América teriam uma década de ouro em termos de desenvolvimento, mas a crise estourada em 1929 colocá-lo-ia e ao mundo de joelhos por anos afim. O Brasil procurou substituir suas importações e deu um salto em termos de produção industrial e inauguraria uma década de revoltas que caracterizou o tenentismo e que culminaria com o longo governo de Getúlio Vargas.
            Derrotada a Tríplice Aliança teria seus membros punidos pelos tratados de paz subsequentes ao conflito, em especial aquele apresentado à Alemanha em Versalhes, clausulas pesadas que pretendiam obter vingança e manter a Europa em paz. Uma sensação de paz que os europeus nunca mais sentiriam ao logo daquele breve século. À carnificina da Primeira Guerra Mundial seguiu-se a guerra total da Segunda (1939-1945) que se estendeu por todo o planeta envolvendo povos direta ou indiretamente. A Guerra Fria entre Estados Unidos da América e União das Republicas Socialistas Soviéticas criou diversos pontos de tensão extrema cujo desfecho poderia ter sido uma guerra nuclear que destruiria o mundo como o conhecemos.
            Os disparos de Gravillo Prinzip contra Franz Ferdinand acertaram todo o século XX. Toda a humanidade foi baleada junto com ele e sangrou muito neste breve, tempestuoso e assustador período da história.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Agência Ford de Ribeirão Claro-PR em 1927

Agencia Ford em Ribeirão Claro em 1927. Consta que pertencia a Roland Davids. Detalhe para o poste da rede de distribuição de energia elétrica ao lado do prédio. 

Esta pode ter sido a primeira revenda Ford do Norte do Paraná, conforme a propaganda deles estes automóveis eram os mais indicados para as nossas estradas naquele tempo!!!

A agência pertencia a Roland Davids que na década de 1930 iria ser proprietário de uma usina de energia elétrica em Londrina-PR.


domingo, 1 de junho de 2014

Igreja Católica em Santo Antonio da Platina - PR

Santo Antonio da Platina é um município já centenário, suas origens e ocupação remontam ao século XIX.

Como não poderia deixar de ser o catolicismo se fez presente desde o inicio. A paróquia foi criada em 1926 e a Igreja Matriz teve sua pedra fundamental lançada em 13 de junho de 1929.

Antes dela os fieis utilizavam a Igreja de Santo Antonio que conforme consta deveria estar erguida ao lado da atual Igreja Matriz.

No painel número 0089 do NEPHIS apresento uma uma foto possivelmente de 1926 ou 1927 da Igreja e Santo Antonio e uma da Igreja Matriz como se apresenta na atualidade.



Maiores informações sobre a Igreja e sua história no site da Paróquia de Santo Antonio da Platina       http://www.paroquiasap.com.br/paroquia.php

sábado, 31 de maio de 2014

Prédio da antiga Prefeitura de Jaguariaíva no Estado do Paraná

Prédio da antiga Prefeitura de Jaguariaíva-PR

Prof.Me. Roberto Bondarik
bondarik@utfpr.edu.br


Prédio da Antiga Prefeitura de Jaguariaíva-PR. Na fachada consta a data de 1918. 

A foto mais antiga em preto e branco deve ser de 1927, quando o Álbum do Paraná foi Publicado e a colorida foi tirada em março de 2014. Ao que consta o prédio deverá ser restaurado. 


O principal acontecimento da história do Brasil a ele relacionado é de 1930 quando grupos armados ligados a Aliança Liberal que apoiavam Getúlio Vargas no Ramal do Paranapanema (Norte Pioneiro) desde Cachoeira (Arapoti) até Cambará, Ribeirão Claro, Jacarezinho e Santo Antonio da Platina além da própria Jaguariaíva atacaram a tiros a guarnição da Policia Militar do Paraná que ai estava. O destacamento resistiu e os rebeldes recuaram para Arapoti. 

O delegado de Policia que era ligado à São Paulo pediu que viesse de Itapetininga um destacamento da Força Pública de São Paulo que ocupou a cidade e levou as locomotivas ai estacionadas para Itararé ... tudo teve inicio as dezessete horas de três de outubro de 1930. Começava a Revolução de 1930 em Jaguariaíva, no Paraná e em Porto Alegre com a tomada do Quartel General do Exercito.


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Armas e uniformes militares do Museu Paranaense

Fotos de uniformes e armamento militar do acervo do Museu Paranaense em Curitiba- Pr

 Metralhadora utilizada na Guerra do Contestado





Metralhadora utilizada na Revolução Federalista e que pertenceu a Policia Militar do Paraná

terça-feira, 26 de novembro de 2013

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Fotos Históricas e de paisagens culturais - Brasil - Paraná e Norte Pioneiro e Norte do Paraná

Iniciamos a publicação de diversas fotos históricas e culturais, algumas delas comparativas, de momentos específicos da História do Brasil, do Paraná e de suas regiões Norte e do Norte Pioneiro.
Estas fotos foram selecionadas dentro de um projeto de ensino de História do Paraná.
Algumas delas já foram divulgadas por redes sociais diversas ao longo desse ano de 2013.

Antigo Posto de Gasolina em Quatiguá - Paraná
(década de 1940)


Colégio Estadual "Miguel Dias" em Joaquim Távora - Pr. Seu nome homenageia o fundador da cidade falecido em 1929 meses antes da criação municipio que recebeu o nome inicial de Affonso Camargo (Foto de Janeiro de 2013)

Na foto esta anotado que é o primeiro trem a chegar a Estação Quatiguá (próxima da serra ou serro do Quatigual) em 1923. Pode-se perceber a estação ainda em construção e uma numerosa população que já se fazia presente. A estação ficava bem no divisor de águas e das fazendas "Jaboticabal da Barra Grande" e "Chapada" que possuíam os dois núcleos urbanos que deram origem à atual Quatiguá - Pr .

Primeira representação pictórica de Curitiba por volta do momento da emancipação da Provincia do Paraná em 1853. A aquarela é de John Henry Elliot, norte-americano radicado no Brasil desde garoto, sertanista e mapista do Barão de Antonina e explorador do Norte do Paraná no século XIX. 


Guaratuba-Pr em 1930

Igreja Matriz de Ribeirão Claro sendo construída na década de 1920.

Inauguração da Estação Affonso Camargo (Joaquim Távora-Pr) em 1923

Inauguração da estação ferroviária de Quatiguá em 1923 - Ramal do Paranapanema

Instalação da Comarca de Ribeirão Claro - Pr em 1911

Museu Paranaense no Palácio São Francisco em Curitiba
(foto de 2013)