quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

A REVOLUÇÃO DE 1930: O PARANÁ E O NORTE PIONEIRO

Texto que publico a seguir foi produzido para ser usado como material didático (FOLHAS) para a Secretaria de Estado da Educação do Paraná, dentro do Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE). A Autoria é minha, Roberto Bondarik (bondarik@utfpr.edu.br) e produzi este trabalho sob a orientação do Professor Doutor José Miguel Árias Neto, docente da Universidade Estadual de Londrina.
A reprodução deste texto é permitida desde que devidamente referenciado. A referência deve ser feita da seguinte forma:
[BONDARIK, Roberto. Revolução de 1930: O Paraná e o Norte Pioneiro. Disponivel em < http://robertobondarik.blogspot.com/ > Acesso em 05 de Dezembro de 2008.]


A REVOLUÇÃO DE 1930:
O PARANÁ E O NORTE PIONEIRO

Prof. Ms. Roberto Bondarik (bondarik@utfpr.edu.br)

O PARANÁ EM 1930

Em 1930 o Estado do Paraná sentia os efeitos da crise econômica que atingia naquele momento quase que a totalidade do mundo ocidental. Iniciada nos Estados Unidos da América com a quebra da Bolsa de Valores em Nova York, esta crise provocou uma enorme diminuição do consumo, provocando falências de empresas e gerando desemprego. O comércio mundial reduziu-se a níveis extremos. A exportação de erva-mate, principal atividade econômica do Paraná naquele período também sentiu os efeitos da economia mundial.

[Cartaz da campanha das eleições presidenciais de 1930. Getúlio Vargas candidatou-se pela Aliança Liberal - Imagem: Revista do Globo-PUC-RS]

Havia na década de 1920 um contraste entre as regiões que formam o Paraná: nos Campos Gerais destacava-se a pecuária extensiva; no Sul, a exploração da madeira baseada na Araucária (Pinheiro do Paraná) e também a extração da erva-mate nativa; em Curitiba concentravam-se as atividades voltadas ao beneficiamento da madeira e da erva-mate extraídas no interior; No Norte Pioneiro vicejavam diversas atividades econômicas que iam do cultivo de café em Cambará e Ribeirão Claro, passando pela criação extensiva de suínos (safra) em diversas cidades da região, chegando a extração de carvão mineral em Siqueira Campos e Ibaiti. O Norte Novo de Londrina e Maringá ainda estavam despontando no cenário paranaense.

A REVOLUÇÃO DE 1930

O movimento revolucionário de 1930 consolidou-se a partir do rompimento entre as oligarquias paulista e mineira, ambas ligadas a produção e a exportação de café. Desde fins do século XIX, com a consolidação da República, um acordo tácito entre os governantes destes dois estados garantia a alternância de ambos na Presidência da Republica, uma pratica denominada “Política do Café-Com-Leite”, pois seus interesses eram bastante semelhantes ou homogêneos como tal mistura. A crise econômica de 1929, atingindo a economia cafeeira, espalhou seus efeitos no Brasil.
Com altos e baixos a depressão americana se estendeu até 1938, levando à violenta retração do comercio internacional, à queda acentuada dos preços e à suspensão de empréstimos e investimentos. As exportações brasileiras de café diminuíram muito, a partir de 1929-1930 num momento em que os estoques internos eram altos. O mercado norte-americano, nosso principal comprador de café, praticamente fechou. Com isso os preços internacionais do produto caíram para um terço dos preços normais, e não havia capital para o financiamento das exportações (TEIXEIRA, 1991, p.162).

A crise econômica cafeeira brasileira, ocorrendo em um momento político bastante delicado, quando se realizavam os procedimentos eleitorais para a escolha do sucessor do Presidente da República, Washington Luiz. Conforme os princípios da política do café-com-leite, quem deveria indicar o próximo presidente seria a oligarquia mineira, seu candidato era o presidente de Minas Gerais, Antonio Carlos. Porém, alegando a necessidade da continuidade de políticas econômicas especificas visando a recuperação do país, Washington Luiz indicou como seu candidato oficial a sucessão o presidente de São Paulo, Júlio Prestes. Os políticos paulistas alegavam que mantendo o governo federal sob seu controle poderiam enfrentar melhor a crise.
A Aliança Liberal com a candidatura de Getúlio Vargas para Presidente da República e de João Pessoa para vice, colocava-se contra o “coronelismo” e o “voto de cabresto”, defendiam ainda a implantação do voto secreto e a modernização da sociedade e da economia do Brasil. Diante da ação dos coronéis da política, a Aliança Liberal acabou sendo derrotada em Abril de 1930, à exceção dos estados que a apoiavam: Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul. A derrota aliancista aumentou a frustração política e as aspirações insurgentes em todo o Brasil.
Na Republica Velha, as opções para os candidatos derrotados eram amargas: reconhecer a vitória do adversário, contentando-se com uma fatia menor no bolo do poder, ou continuar na oposição, arrostando uma perseguição implacável. Em 1930, porém, os derrotados controlavam três governos estaduais. Era menos que o suficiente para eleger um presidente, porém mais que mera influência civil (CALDEIRA, 1997, p.259).
Liderado pelo secretario do governo do Rio Grande do Sul, Oswaldo Aranha, a partir de maio de 1930 organiza-se um movimento conspiratório visando impedir a posse de Júlio Prestes e o afastamento de Washington Luiz do governo do país. Lideres tenentistas das rebeliões militares durante a década de 1920 foram contatados e muitos deles aceitaram aderir e mesmo a auxiliar no planejamento e condução do movimento. Foi este o caso, dentro do Estado do Paraná, do Major Plínio Tourinho, oficial de Artilharia do Exercito, servindo em Curitiba e simpatizante do tenentismo.
[...] o Paraná pela sua situação geográfica, pelo civismo de seu povo, não poderia ficar indiferente a essa ação coletiva de reivindicação dos direitos nacionais. A conspiração revolucionária espalhava-se por todos os recantos do país. Urgia acelerar a reação o quanto antes para impedir a posse do novo governo. No dia 14 de junho de 1930, por intermédio do Capitão Djalma Dutra, recebi as credenciais verbais do meu antigo companheiro de Escola Militar dr. GetúlioVargas, para organizar no Paraná um movimento de apoio ao que ia se realizar no Sul, Minas e Norte do país. Embora se tratasse de uma missão árdua e de alta responsabilidade, e já decepcionado com os fracassos sucessivos de tantas reações, aceitei essa pesada incumbência, conseguindo o apoio de alguns oficiais da guarnição [...] (TOURINHO, 1980, p.80).
A data para o inicio do movimento foi estabelecida para o dia 03 de outubro de 1930, uma sexta feira. Movimentos sincronizados seriam levados a efeito em todo o Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais e Paraíba. As 17h30m deste dia forças da Brigada Militar Gaucha, Guarda Civil, rebeldes do Exercito e voluntários civis comandados por Oswaldo Aranha e Góes Monteiro, tomam de assalto o edifício do Quartel General do Exercito em Porto Alegre. O comandante da Região Militar, General Gil de Almeida foi preso durante essa ação. Imediatamente deflagra-se por todo o estado a ação dos rebeldes que tomam, com poucas exceções, os quartéis e guarnições do Exercito. Iniciava-se de maneira prática o movimento que alçaria Getúlio Dorneles Vargas à Presidência da República.
O PARANÁ NO CAMINHO DA REVOLUÇÃO
Com o Rio Grande do Sul sob controle, os revolucionários precisavam atravessar quatro estados (Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro) até atingir a então capital da República, a cidade do Rio de Janeiro. O caminho mais rápido por terra era seguir pela Ferrovia São Paulo – Rio Grande.
[Foto da "Pequena 53", Locomotiva com a qual os revolucionários invadiram Santa Catarina e tomaram a Estação Rio Uruguai naquele Estado, dando inicio na tarde de 03 de outubro de 1930 à esperada Revolução. Imagem: Revista do Globo-PUC-RS]
Ainda no dia 03 de outubro, horas antes dos eventos em Porto Alegre, forças rebeldes seguiram de trem pelo interior de Santa Catarina, seu objetivo era chegar rapidamente até Porto União na divisa com o Paraná. Garantir-se-ia assim, o controle sobre a antiga área do Contestado, preservando a segurança e o deslocamento dos rebeldes. A vanguarda revolucionária estava preparada para usar suas armas, como de fato o fez, na tomada das estações ferroviárias ao longo do trajeto. A resistência mesmo assim foi mínima, pois a liderança do movimento havia, através de agentes especiais, trabalhado os ânimos das lideranças políticas (especialmente de oposição) e principalmente das diversas guarnições do Exercito até a divisa entre Paraná e São Paulo.

Quando o comando e as forças revolucionárias chegam a Porto União, o Batalhão de Caçadores vindo de Joinville e ai estacionado já havia se rebelado e aderido prontamente à Revolução. Neste mesmo dia, 04 de outubro, o 13º Regimento de Infantaria também se rebelara e tomava conta da cidade de Ponta Grossa, sua base. Em Curitiba, capital do Estado o Major Plínio Tourinho, em acordo com os gaúchos, lidera o conjunto de ações que leva a adesão da guarnição federal, da Policia Militar e Corpo de Bombeiros ao movimento revolucionário. O Presidente do Estado do Paraná, Affonso Camargo, sem apoio militar, retira-se para Paranaguá e daí para São Paulo, via Cananéia.

Em 05 de Outubro Curitiba encontrava-se sob um governo revolucionário, seu chefe era o General da Reserva Mário Tourinho (irmão do Major Plínio):
A adesão do Paraná foi quase a vitória da Revolução. Pela sua situação geográfica e pela unidade de vistas do povo e da guarnição militar do Exercito, o seu concurso à causa foi dos mais inestimáveis. Após a vitória da manhã de 05 de outubro [de 1930] às 13 horas desse dia, entrei em franca ligação pelo telégrafo com o chefe da revolução, dr. Getúlio Vargas, dando-lhe conta das ocorrências mais importantes e das medidas tomadas para garantia do movimento revolucionário. Dele recebi o primeiro telegrama, que dizia: “Porto Alegre, 5 – Major Tourinho. Curitiba. Paraná. Bravo! Bravo! Marcho com o Rio Grande ao vosso encontro. Vamos todos. Exercito e povo. Abraços. Getúlio Vargas” (TOURINHO, 1983, p.83).
Com a adesão paranaense, as tropas gaúchas avançam pelo estado, chegam a Ponta Grossa no dia 06 de outubro. Um impasse envolvendo o 5º Regimento de Cavalaria divisionária, sediado em Castro, nos Campos Gerais, atrasa o avanço rebelde. O 5º R.C.D. permanece fiel a Legalidade e em seu recuo em direção a São Paulo e a cidade de Itararé, destruiu trechos da ferrovia e danificou pontes. Em Itararé, junto a divisa com o Paraná, organizavam-se as forças que pretendiam barrar o avanço rebelde vindo do Sul.

As primeiras forças rebeldes que seguem rumo a Itararé eram formadas pelo 13º Regimento de Infantaria e pela Policia Militar do Paraná. Estas forças perseguiam o 5º Regimento de Cavalaria,legalista, passaram por Jaguariaíva e seguiram para Sengés, à época uma vila diante de Itararé. Os rebeldes paranaenses foram seguidos pelos gaúchos que em Jaguariaíva adentraram pelo Ramal Ferroviário do Paranapanema, atingindo sem dificuldades o Norte Pioneiro do Paraná. Outras forças seguiram de Curitiba para o Vale da Ribeira onde ocorreram também combates.

Formavam-se conforme Young (1979), as três frentes de enfrentamento entre os rebeldes revolucionários e as forças defensoras da legalidade formadas por unidades do Exercito sediadas em São Paulo e Rio de Janeiro e pela Força Pública Paulista (atual Policia Militar do Estado de São Paulo). As frentes de combate eram Vale da Ribeira, Sengés-Itararé e Norte Pioneiro e Norte Pioneiro.
[...] houve um impasse militar na fronteira com São Paulo [e Paraná], perto da cidade de Itararé. A batalha ai travada teve características aparentemente modernas, com trincheiras em toda a frente de combate, arame farpado, ninhos de metralhadoras e artilharia (YONG, 1979, p.26).
Localizando-se Itararé a meio caminho entre o Rio Grande do Sul e o Rio de Janeiro e controlando com sua posição a entrada para São Paulo, estado que sustentava politicamente o poder de Washington Luiz, o domínio desta região era essencial para ambas as forças oponentes. O Norte Pioneiro do Paraná e o Vale da Ribeira, situados nos lados (flancos) de Itararé, possibilitavam com o seu controle uma proteção essencial ao avanço gaúcho ou a resistência legalista.
O NORTE PIONEIRO PARANAENSE DEFLAGRADO

Devido a sua importância no contexto do avanço gaúcho, tropas vindas diretamente do Rio Grande do Sul trataram de asseguram o seu controle. No dia 08 de outubro, contando com apoio local, um comboio ferroviário transportando um esquadrão da Brigada Militar chega até Colônia Mineira, atual Siqueira Campos e daí seguindo até Affonso Camargo, atual Joaquim Távora, nos dias seguintes.
[...] seguindo para Porto União, de onde marchamos na segunda composição para a Colônia Mineira, onde junto com o Cap. Marinho empossamos as autoridades ficando nossa composição em Colônia Mineira e seguindo a primeira para Affonso Camargo sob o comando do Cap. Marinho (PRADO, 1931, p. 000).
Estas foram as primeiras forças gaúchas que se avizinharam da divisa de São Paulo. Pelo Norte Pioneiro poderiam chegar por via férrea até diante de Ourinhos-SP, poderiam atravessar o Rio Paranapanema pela Ponte Pênsil “Manuel Alves de Lima”, em Ribeirão Claro ou transpor o Rio Itararé em Porto Maria Ferreira ou em Carlópolis, adentrando assim ao Estado de São Paulo.
Foram os primeiros combatentes revolucionários que se aproximaram da fronteira. Por isto, os que primeiro se mediram com os que desceram de São Paulo. Atingindo a estação férrea de Jaguariaíva, onde a estrada se bifurca, deixaram a direção de Itararé para a direita e rumaram para Colônia Mineira [Siqueira Campos-PR], à esquerda. Atingiram-na sem tropeço. E não perderam tempo. Continuaram avançando, sempre pela via férrea. Transpuseram a estação Catiguá [Quatiguá-PR] e prosseguiram para Affonso Camargo [Joaquim Távora-PR]. Afinal aqui [...] tiveram contato com os primeiros adversários (LEITE, 1931, p.151).

A força legalista era composta por elementos do Exercito, Força Pública Paulista e voluntários civis, chamados legionários, recrutados por Ataliba Leonel, deputado federal e chefe político em Pirajú-SP. Diante da oposição encontrada, o Esquadrão Marinho recuou para a estação Quatiguá onde permaneceu, era o dia 11 de outubro. Este episódio foi noticiado em São Paulo, no dia seguinte como uma grande vitória da Legalidade:
Em Jacarezinho, no Paraná, a columna de patriotas que alli se encontrava, sob o commando do major Agnello de Souza infligiu decisiva derrota nos rebeldes que se aprestavam em atacal-a, avançando até Colônia Mineira (O ESTADO DE SÃO PAULO, 12 out. 1930, p.1).

Em Quatiguá o Esquadrão Marinho aguardou o “Destacamento Etchegoyen”, comandado pelo Coronel Alcides Gonçalves Etchegoyen, no amanhecer de 12 de outubro, uma essencialmente gaúcha. As forças legalistas atacam Quatiguá neste mesmo dia, ao final da tarde.
[Estação Ferroviaria de Affonso Camargo, atual Joaquim Távora em 1928 - Imagem: http://www.estacoesferroviarias.com.br]

As tropas situacionistas paulistas atravessaram a fronteira paranaense, ocuparam Ribeirão Claro, Joaquim Távora [Affonso Camargo] e [...] Quatiguá. Ali foi o foco da pegada. Travou-se ali o maior combate da Revolução de 30 (WACHOWICZ, 1987, p.128).
O combate transcorreu por parte da noite ainda. Ambos os contendores receberam reforços e foi se desenhando aquele que seria um dos mais violentos combates da Revolução de 1930, superior mesmo aos da frente de Sengés. O relatório de Nelson Etchegoyen, comandante da artilharia rebelde completa as informações sobre o combate que transcorreu até as nove horas da manhã de 13 de outubro.

DIA 13 – Às 2 horas tivemos ordem de seguirmos imediatamente para Quatiguá a fim de reforçarmos o restante do [1º] Destacamento, que seria atacado por forças paulistas, que durante toda a noite recebiam reforços, procurando envolver a estação, onde se achava tropa amiga; seguimos e apenas desembarcamos a nossa última peça de artilharia foi desencadeado violento ataque com tropas regulares da Força Pública Paulista. Nesse combate nossas tropas, fiéis às tradições de bravura dos seus antepassados, se portou com extraordinário heroísmo e sangue frio, derrotando de modo absoluto e formal, o inimigo [...] (ETCHEGOYEN, 1931).

A tropa legalista retirou-se, após ser derrotada, em direção à divisa de São Paulo. O relatório do Coronel Alcides Etchegoyen, levando-se em conta a sua visão particular dos acontecimentos, resume as condições da retirada dos legalistas.
O seu dispositivo esfrangalhou-se, o pânico se manifestou em suas fileiras, veiu a desordem e a confusão. A ninguém mais seria dado conter aquella tropa cheia de terror, cujo pensamento único era fugir e cuja fuga era cortada pelo fogo das nossas metralhadoras pesadas que a fusilava em massa. As populações das cidades e villas, ao longo da via férrea Quatiguá - Jacaresinho, são testemunhas do estado de desmantello e desmoralisação das tropas adversárias em fuga, as quaes tomadas de pavor e viajando em caminhões incendiavam, com auxilio de gazolina, as pontes e pontilhões ao longo da estrada, afim de evitar a perseguição de nossa tropa e destruindo a dinamite de uma maneira bárbara as pontes lançadas sobre o Paranapanema e incendiando todas as balsas, botes e canoas existentes nos diversos passos daquele rio, abandonando em definitivo naquella região, o Estado do Paraná. (VÉRAS, 1933, p. 34).
Os legalistas destruíram as pontes sobre o Rio Paranapanema, a ponte ferroviária da Viação São Paulo-Paraná que ligava a Ferrovia Sorocabana também ao Ramal do Paranapanema, a ponte pênsil rodoviária (Ponte Pênsil Manoel Alves de Lima) em Ribeirão Claro foi também destruída com dinamite. O intento legalista era impedir o avanço gaúcho sobre São Paulo.

Encerrado a situação em Quatiguá os rebeldes ocuparam a região dando combate aos remanescentes legalistas. Em 15 de outubro exploram Carlópolis, cidade que ocupam em definitivo no dia seguinte. Em 19 de outubro chegam Ribeirão Claro e Jacarezinho onde dão posse a novas autoridades municipais.

Vitoriosa em Quatiguá, a revolução tomou posse de Jacarezinho, a principal cidade da região, ali designando o médico Gustavo Lessa ''Governador Provisório do Município'' e o major Guiomar de Assis Moreira, delegado de polícia. ''Dada à retidão de caráter das ilustres novas autoridades, temos certeza que o povo de Jacarezinho jamais viu tão bem garantidos os seus direitos'', proclama o comandante do 1º Batalhão de Caçadores, major Alcides Araújo, em A Revolução. (SCHWARTZ, 2007).

Em Carlópolis os militares gaúchos exploraram as margens do Rio Itararé até o Porto Maria Ferreira. Construiram barcas para a travessia do rio. Porém era o dia 24 de outubro, e no Rio de Janeiro os Generais e Almirantes em um Golpe de Estado depõem e prendem o presidente Washington Luiz alegando evitar maior derramamento de sangue. Após negociações estava vencida a Revolução de 1930.

CONCLUSÃO

A derrota das forças da legalidade em Quatiguá chamou a atenção do Cônsul Geral dos Estados Unidos da América em São Paulo, que em telegrama datado do dia 18 de outubro alertou o Secretario de Estado daquele país sobre os resultados desse combate.

Coluna governista avançando de Ourinhos seriamente derrotada há poucos dias atrás. Governo agora na defensiva. Estrada de ferro São Paulo-Paraná transportando bens requisitados e todas as pontes destruídas pelo governo. Toda a estrada de ferro São Paulo-Rio Grande do Sul cooperando com revolucionários (YOUNG, 1979, p.27)

É possível que esta derrota, colocando os legalistas na defensiva como afirma o cônsul americano, tenha convencido os generais no Rio de Janeiro a repensarem suas posições políticas. Considerando-se essa hipótese poderíamos afirmar que os acontecimentos desenrolados no Norte Pioneiro durante a campanha militar da Revolução tiveram, sopesados juntos ao seu respectivo contexto, importante contribuição ao sucesso do movimento iniciado no Rio Grande do Sul em 03 de outubro.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E FONTES:

CALDEIRA, Jorge. Viagem Pela História do Brasil. 2ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 1997;
LEITE, Aureliano. Memórias de um revolucionário: A Revolução de 1930, Pródromos e conseqüências. lª edição. s/l. 1931;
MEIRELLES, Domingos. 1930: Os Órfãos da Revolução. Rio de Janeiro: Record, 2005;
PRADO, Hermínio. “Acção da Legião Garibaldi do Commando do General Elisiário Paim Filho”. In: Revolução de 1930: Imagens e Documentos, Revista do Globo – Edição Especial, Fevereiro de 1931, Porto Alegre: Barcellos, Bertaso & CIA, p. 257-261;
SCHWARTZ, Widson. Quatiguá no Diário da Revolução. Caderno Cidades, Folha de Londrina, 13 de Junho de 2007;
TEIXEIRA, Francisco M. P.; TOTINI, Maria Elisabeth. História Econômica e Administrativa do Brasil. 2ª edição. São Paulo: Ática, 1991;
TOURINHO, Plínio. Depoimento. In: Cinqüentenário da Revolução de Trinta no Paraná. 2ª Ed. Curitiba: Instituto Histórico, Geográfico e Etnográfico Paranaense, 1980, p.78-83;
WACHOWICZ, Ruy Christovam. Norte Velho, Norte Pioneiro. Curitiba: Gráfica Vicentina, 1987;
YOUNG, Jordan. “Aspectos Militares da Revolução de 1930”. In: Os Militares e a Revolução de 30. FIGUEIREDO, Eurico (Org). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979, p.15-35;


Um comentário:

Anônimo disse...

Ola autor a historia me comove muito, considerando que meu avo materno participou do envento, quardando consigo uma garrucha 22 com cabo verde e um unica foto da epoca até seu leito de morte aos 93 anos. Hoje tenho guardado com muito carinho esta armae passarei a meu descendente junto com sua história.