sexta-feira, 20 de julho de 2007

INICIO DA REVOLUÇÃO DE 1930 EM PORTO ALEGRE - RIO GRANDE DO SUL

Como todos sabem a Revolução de 1930 teve seu inicio no Rio grande do Sul, reproduzo aqui um texto que esta no site http://www.brasilescola.com/historiab/3-outubro.htm que mostra de maneira clara o que houve naquele dia em Porto Alegre.
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3 de Outubro em Porto Alegre

O Grande Hotel, em Porto Alegre, transformara-se no quartel-general dos revolucionários, onde Oswaldo Aranha coordenava as ligações. "Olha, o doente piorou muito; seu estado é grave, exige intervenção cirúrgica que vai ser praticada logo à tarde", era a senha transmitida pelo telefone, normalmente com voz feminina
Às 14 horas do dia 3 de outubro, os colégios suspenderam as aulas, com recomendação para que os alunos se recolhessem às suas casas. O comércio cerrara as portas. Parecia que a população adivinhava o que se ia passar.
Um radiograma transmitido para o General Gil Antônio Dias de Almeida, Comandante da 3ª Região Militar, informava que o edifício dos Correios fora ocupado por civis armados, às 17 horas. As comunicações começaram a entrar no ritmo frenético que antecede as grandes convulsões sociais. O General Gil alertou o 8º Regimento de Infantaria, de Passo Fundo, e procurou contactar o General João Simplício Carvalho, Secretário da Fazenda, e Getúlio Vargas.
Novos radiogramas chegados ao Comando da 3ª Região Militar, provindos das guarnições de Bagé, Alegrete e Passo Fundo, revelavam indícios de levante armado iminente. Getúlio, Presidente do Estado, laconicamente transmitiu ao Comandante da 3ª Região Militar por intermédio de um oficial, a mensagem: "Diga ao general que as providências serão tomadas".
Às 17:25 horas ocorreu uma primeira ação contra o Quartel-General da 3ª Região Militar. Seu objetivo era capturar o general. A hora foi estudada com cuidado. O quartel-general tinha uma guarda reduzida e a maioria dos oficiais e praças já havia saído, por término do expediente.
Inicialmente, 50 homens da Guarda Civil simularam a rotineira passagem pelo portão. Seguiu-se o grupo de choque que se encarregou das sentinelas. Oswaldo Aranha, Flores da Cunha e o Capitão Agenor Barcelos Feio dirigiram as ações. O sucesso do ataque deveu-se ao perfeito planejamento. Nos edifícios vizinhos havia metralhadoras instaladas para bater o prédio do quartel-general. A pretexto de conserto nos encanamentos, abriram-se valas nas ruas Riachuelo e Canabarro, nas proximidades do quartel-general, que foram ocupadas por combatentes disfarçados de operários. Vários soldados da guarda, solidários com o movimento, além de deixarem seus postos retiraram os percursores das armas.
O General Gil foi preso. Um ataque comandado por Elpídio Marins forçou a rendição do Arsenal de Guerra. Exatamente às 17:30 horas subiu do Morro do Menino Deus o foguete que anunciava a deflagração do movimento revolucionário. Desde setembro a guarnição de Porto Alegre dispunha de reforços – eram o 8º e o 9º Batalhão de Caçadores, comandados, respectivamente, pelo Tenente-Coronel Galdino Esteves e pelo Coronel Toledo Bordini, e também uma seção de artilharia. O efetivo da tropa era de 1.500 homens, o que preocupava os revolucionários. O primeiro aderiu e o segundo ofereceu resistência, mas foi logo dominado e preso com alguns de seus oficiais.
O 4º Esquadrão, depois de pequena resistência, rendeu-se; alguém na unidade retirara os percursores das armas de fogo. A 2ª Companhia de Estabelecimentos, depois de intensa reação, cedeu, o mesmo ocorrendo com o Contingente da Carta Geral 43. O 7º Batalhão de Caçadores, comandado pelo Coronel Benedito Marques da Silva Acavan, cunhado do General Flores da Cunha, estava reduzido de um terço de seu efetivo, pois cerca de 200 homens desertaram. Somente três metralhadoras dispunham de percursores. Mas só pela manhã do dia 4 aceitava os termos apresentados por Goes Monteiro.
As ações em Porto Alegre resultaram em 19 mortos e quase 100 feridos.
O 8º Regimento de Infantaria (Passo Fundo) do Coronel Estêvão Leitão de Carvalho fora cercado pelos revolucionários e resistiu durante algum tempo. Outras unidades no Estado aderiram.

Um comentário:

Nei disse...

Professor, muito bom esse texto. Veja no link a seguir meu texto sobre o mesmo ssunto:
http://www.consciencia.org/neiduclos/Article57.html