quinta-feira, 16 de outubro de 2014

ATRAIR O PARANÁ PARA O CORAÇÃO DOS PARAENSES

Este artigo foi publicado dia 07 de Outubro de 2014 no Jornal "Folha de Londrina". Intitulado "Atrair o Paraná para o coração dos paranaenses", é um artigo em que apresento e comento as principais obras de infraestrutura no Norte do Paraná, o longo tempo que passou desde foram executadas e a falta de obras mais modernas que produzem um isolamento do Norte do Paraná, tornando-o uma "ilha isolada" do desenvolvimento e do restante do Estado do Paraná. Abaixo a integra do artigo e o recorte da edição impressa:

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Atrair o Paraná para o coração dos paranaenses
Prof. Me. Roberto Bondarik
Docente e Pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Cornélio Procópio

            Instigante o Caderno Desafios 2015 da Folha que aponta ser o Norte do Paraná uma ilha isolada do desenvolvimento do Paraná e do Brasil. Nos faltam meios de transporte e o entrave logístico apontado é evidente e angustiante: faltam estradas e ferrovias eficazes.
            No início da ocupação do Norte do Paraná já havia a mentalidade de que não bastava a fertilidade das terras, era necessário escoar a produção para transforma-la em riquezas. O povo vivia rezando, dançando, caçando e esta era a vida no sertão na entrada do século XX. Em 1901 Antônio Francisco de Paula Souza, diretor da Escola Politécnica de São Paulo apresentou à Assembleia Paulista e as vantagens de atrair o Norte do Paraná para a orbita da economia de São Paulo.
Surgiram projetos para a ligação ferroviária desde Guaíra-PR ao Porto de Santos. Apesar das posições do Paraná de que tais projetos iam contra seu plano ferroviário, a viabilidade dos projetos coube aos paulistas com base na ideia de que onde houvesse café ai deveria estar São Paulo. A chegada da Ferrovia Sorocabana a Ourinhos-SP em 1908 ampliou a influência paulista na região. Em 1920 foi autorizada a Ferrovia São Paulo-Paraná que partindo de Ourinhos, deveria cruzar o Rio Paraná em Guaíra atingindo Assunção no Paraguai. A companhia era constituída por investidores paulistas e o principal deles era Antônio Barbosa Ferraz e seus filhos da Companhia Agrícola Barbosa de Cambará, atingida pela ferrovia em 1925. O preço da terra subiu de cinquenta mil reis para cerca de dois contos e quinhentos mil reis.
Britânicos assumiram em 1928 o controle da São Paulo-Paraná estendendo-a até as terras da Companhia de Terras Norte do Paraná, de Londrina para diante. Em relação a esse meio de transporte e simplificando o raciocínio, os projetos da estrada de ferro que liga a região de Londrina até São Paulo tem mais de noventa anos: o desenvolvimento tecnológico e a natureza da economia regional transformaram-se muito nesse tempo todo tornando-a obsoleta. A conclusão do Ramal Ferroviário do Paranapanema entre Jaguariaíva e Jacarezinho em 1930 atraiu em parte a produção do Norte Pioneiro para Curitiba e Paranaguá, os compradores continuavam em São Paulo. A região ficou mais ligada a São Paulo e isolada do Paraná: a ideia de ilha tomava corpo.
            A ligação rodoviária com São Paulo sempre foi melhor do que com o restante do Paraná. Em 1929 o Governo do Paraná pagou e a Prefeitura de Cambará executou a construção de uma estrada de rodagem que saindo de sua sede atingiu Jataizinho em 1929 passando por Cornélio Procópio.
            A ligação do Norte com o Paraná tomaria corpo apenas com a construção de 1935 e 1940 da estrada de rodagem entre Curitiba, Pirai do Sul e Jataizinho A Estrada do Cerne era concretização do lema do Interventor Manoel Ribas de “Atrair o Norte para o nosso coração”, projeto para integrar a região em definitivo ao Paraná. A partir de 1961 a Rodovia do Café concluía esse projeto de integração logística em conjunto com a Ferrovia Central do Paraná em 1975 ligando Apucarana até Ponta Grossa.
Já se vão 74 anos desde implantação da Estrada do Cerne, 53 desde a Rodovia do Café e 39 anos desde a Ferrovia Central do Paraná e o Norte do Paraná transformou-se novamente em uma região isolada do restante do Estado sem condições logísticas de desenvolver-se. Não há estradas duplicadas, ferrovias modernas ou projetos a curto prazo que revertam isso rapidamente.

O principal desafio para o futuro é integração com o restante do Paraná por meio de um desenvolvimento econômico equitativo e eficaz, que dê condições de investimento para todos e em todo o Paraná. Definitivamente é preciso atrair o Paraná para o coração dos paranaenses, o Paraná precisar ser uno, desenvolvido e com qualidade de vida e de trabalho para todos.









quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Enchentes do Tibagi: um problema mais do que secular

Em 19 de setembro de 2014 o jornal "Folha de Londrina" publicou um artigo meu em que discutir a apresentei alguns dados históricos a respeito das enchentes ocorridas no Rio Tibagi.
Pelo menos desde de 1846 elas são registradas e tiveram de ser entendidas afim de que ocorresse a colonização da região.
Segue o texto e a imagem com a cópia original da publicação.
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Enchentes do Tibagi: um problema mais do que secular

Prof. Me. Roberto Bondarik
Docente e Pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Cornélio Procópio

            A reportagem especial da FOLHA neste domingo (14/09/2014) a respeito dos problemas que o Paraná tem sofrido com intempéries fez com que a minha atenção fosse chamada para os problemas relacionados às enchentes em Jataizinho. Nos últimos anos temos presenciado cheias com elevado volume e poder destrutivo. Apesar da reclamação e do clamor por obras de infraestrutura afim de dar vazão às águas da chuva, canalização de rios, a também alegada culpa atribuída a Usina Hidroelétrica de Mauá, no Rio Tibagi, algo que merece melhores e profundos estudos, a questão principal é que a enchentes em Jataizinho são mais antigas que se possa ter ideia. Uma história que precisa ser conhecida afim de melhor se planejar o presente.
            O problema das enchentes do Rio Tibagi já foi detectado quando do início da exploração e mapeamento do então Sertão do Tibagi na década de 1840 afim de, a mando do Barão de Antonina, estabelecer-se um caminho terrestre e fluvial que ligasse o litoral do Paraná ao Mato Grosso. O sertanista Joaquim Francisco Lopes e o mapista norte-americano John Henry Elliot, responsáveis pelo registro de posse dos campos de São Gerônimo, Santa Barbara e da posse da Fazenda Congonhas para o referido Barão. Em seu trabalho exploraram e descreveram toda a região. As margens do Rio Tibagi, abaixo do ribeirão Jatahy prestava-se à navegação e decidiu-se logo pelo estabelecimento de um porto e de um povoamento que deveria ser uma colônia militar.
Optou-se pela foz do Jatahy para o estabelecimento desse entreposto, porém John Henry Elliot também já havia se inclinado a escolher a foz do Rio Congonhas, bem mais abaixo no curso do Tibagi e próxima do Rio Paranapanema. Estudando a foz do Congonhas em 10 de novembro de 1847 Elliot e Lopes escolheram aquele local como o mais indicado para se estabelecer o porto de embarque para as mercadorias que desde Antonina aqui no Paraná, deveriam seguir até Cuiabá no Mato Grosso. Achavam eles que aquele lugar era o mais seguro em virtude da proteção que daria às canoas de transporte que poderiam ser arrebatadas pelas enchentes do Tibagi. Este relato foi publicado pela Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro em 1848 (p.174). Ou seja as cheias do Tibagi assustam as pessoas desde o início das explorações da região. Por motivos outros a Colônia Militar do Jatahy, hoje Jataizinho, foi instalada mais acima.
O conhecimento das cheias do Tibagi possibilitou que tanto o casario da Colônia Militar como o do Aldeamento de São Pedro de Alcântara, alguns quilômetros rio abaixo, fossem erigidos em locais elevados e protegidos, colocando as suas populações em segurança. O excesso de chuvas àquele tempo, a exemplo de hoje, também causou problemas por diversas vezes aos poucos moradores do Jatahy nos primeiros tempos. Em 1863 metade da produção de milho foi perdida em virtude das chuvas e a subsistência dos moradores ficou prejudicada. A população local em virtude da grande distância com outros centros sempre foi pequena.
O crescimento da população de Jataizinho após a chegada da ferrovia na década de 1930 e a ocupação urbana da margem do Tibagi e dos seus afluentes fazem com que hoje a cada chuva mais forte o rio retome sua antiga área de escape, mesmo sendo ela hoje escriturada e dotada de rede de captação das águas das chuvas. Nos parece óbvio que algo deve ser feito para solucionar o problema das enchentes e das pessoas por elas atingidas, mas há que se lembrar da história e natureza do Rio Tibagi.



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Maquinas Agrícolas Antigas

Em dois de setembro de 2014 irei ministrar uma palestra sobre evolução histórica da agricultura durante a EXPOCOP (Exposição de Cornélio Procópio-Pr).
Para entrar no clima estou anexando algumas imagens de máquinas agrícolas, algumas do século XIX ainda e criadas nos Estados Unidos da América.





sexta-feira, 27 de junho de 2014

Atentado de Sarajevo: um tiro que acertou em todo um século

Artigo publicado no Jornal Folha de Londrina de 25 de Junho de 2014 na sessão "Espaço Aberto". Ele trata do acontecimento que foi o ultimo dos fatores que provocaram o inicio da Primeira Guerra Mundial, o assassinato do Príncipe Herdeiro da Áustria-Hungria Franz Ferdinand (Francisco Ferdinando) em 28 de Junho de 1914 pelo nacionalista ou fundamentalista sérvio Gravilo Princip (ou Prinzip).
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Atentado de Sarajevo: um tiro que acertou em todo um século
Roberto Bondarik
Docente e Pesquisador da Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Cornélio Procópio

            Dia 28 de junho, em plena Copa do Mundo de Futebol, é bem possível que se passe desapercebido o centenário do ataque que tirou a vida do príncipe herdeiro do Império Austro-Húngaro Franz Ferdinand e sua esposa Sofia. Disparados por Gravillo Prinzip, membro de um grupo nacionalista sérvio os tiros que mataram o Príncipe também ceifaram mais de oito milhões de soldados que combateram na Primeira Guerra Mundial. Conflito que nos dizeres de Eric Hobsbawm deu início ao “Breve Século XX”. O cenário político da Europa e do mundo se modificaram permanentemente e a relações internacionais passaram a ser pautadas pelas suas consequências.
            A Mão Negra planejou o atentado pretendendo a independência da Bósnia-Herzegovina ou sua anexação ao Reino da Servia e sua ação fez disparar um complexo sistema de alianças diplomático-militares que a partir de agosto de 1914 colocariam a civilização ocidental em alerta. Aliada da Alemanha e do Império Turco-Otomano a Áustria-Hungria pertencia a Tríplice Aliança que se contrapunha à Tríplice Entente da Rússia, França e Grã-Bretanha. Pressionada pela Áustria-Hungria a Servia foi apoiada pela Rússia. Como peças de um dominó macabro as declarações de guerra e invasões se sucederam. Por quatro longos anos a Primeira Guerra Mundial ceifou as vidas de toda uma geração de europeus em suas trincheiras. Era o ápice de uma escalada de fatores que provocaram a guerra: imperialismo, disputas comerciais, politicas nacionalistas, desejo de vingança por guerras anteriores, etc.
            A arte de matar evoluiu tecnologicamente em escala industrial surgiram ou foram aperfeiçoadas novas armas e técnicas de combate como a metralhadora, o tanque, o avião de caça e bombardeio, o submarino, gazes venenosos, etc. A vida humana aparentemente era um número sem valor.
            Ao findar 1918 a Europa e o mundo não mais seriam os mesmos, os disparos em Sarajevo haviam ferido de morte os grandes impérios. Com seus territórios drasticamente reduzidos a Alemanha tornara-se uma república, também a Áustria agora separada da Hungria e ambas isoladas do mar. Outros países seriam criados ou recriados como Finlândia, Polônia, Tchecoslováquia e Iugoslávia. Os bolcheviques conduziram sua Revolução na Rússia e a transformando-a em União Soviética. A desesperança com a democracia liberal abriria caminho não só ao comunismo como também aos seus congêneres totalitários do nazismo e do fascismo. Grande beneficiário econômico do conflito os Estados Unidos da América teriam uma década de ouro em termos de desenvolvimento, mas a crise estourada em 1929 colocá-lo-ia e ao mundo de joelhos por anos afim. O Brasil procurou substituir suas importações e deu um salto em termos de produção industrial e inauguraria uma década de revoltas que caracterizou o tenentismo e que culminaria com o longo governo de Getúlio Vargas.
            Derrotada a Tríplice Aliança teria seus membros punidos pelos tratados de paz subsequentes ao conflito, em especial aquele apresentado à Alemanha em Versalhes, clausulas pesadas que pretendiam obter vingança e manter a Europa em paz. Uma sensação de paz que os europeus nunca mais sentiriam ao logo daquele breve século. À carnificina da Primeira Guerra Mundial seguiu-se a guerra total da Segunda (1939-1945) que se estendeu por todo o planeta envolvendo povos direta ou indiretamente. A Guerra Fria entre Estados Unidos da América e União das Republicas Socialistas Soviéticas criou diversos pontos de tensão extrema cujo desfecho poderia ter sido uma guerra nuclear que destruiria o mundo como o conhecemos.
            Os disparos de Gravillo Prinzip contra Franz Ferdinand acertaram todo o século XX. Toda a humanidade foi baleada junto com ele e sangrou muito neste breve, tempestuoso e assustador período da história.


quinta-feira, 5 de junho de 2014

Agência Ford de Ribeirão Claro-PR em 1927

Agencia Ford em Ribeirão Claro em 1927. Consta que pertencia a Roland Davids. Detalhe para o poste da rede de distribuição de energia elétrica ao lado do prédio. 

Esta pode ter sido a primeira revenda Ford do Norte do Paraná, conforme a propaganda deles estes automóveis eram os mais indicados para as nossas estradas naquele tempo!!!

A agência pertencia a Roland Davids que na década de 1930 iria ser proprietário de uma usina de energia elétrica em Londrina-PR.


domingo, 1 de junho de 2014

Igreja Católica em Santo Antonio da Platina - PR

Santo Antonio da Platina é um município já centenário, suas origens e ocupação remontam ao século XIX.

Como não poderia deixar de ser o catolicismo se fez presente desde o inicio. A paróquia foi criada em 1926 e a Igreja Matriz teve sua pedra fundamental lançada em 13 de junho de 1929.

Antes dela os fieis utilizavam a Igreja de Santo Antonio que conforme consta deveria estar erguida ao lado da atual Igreja Matriz.

No painel número 0089 do NEPHIS apresento uma uma foto possivelmente de 1926 ou 1927 da Igreja e Santo Antonio e uma da Igreja Matriz como se apresenta na atualidade.



Maiores informações sobre a Igreja e sua história no site da Paróquia de Santo Antonio da Platina       http://www.paroquiasap.com.br/paroquia.php

sábado, 31 de maio de 2014

Prédio da antiga Prefeitura de Jaguariaíva no Estado do Paraná

Prédio da antiga Prefeitura de Jaguariaíva-PR

Prof.Me. Roberto Bondarik
bondarik@utfpr.edu.br


Prédio da Antiga Prefeitura de Jaguariaíva-PR. Na fachada consta a data de 1918. 

A foto mais antiga em preto e branco deve ser de 1927, quando o Álbum do Paraná foi Publicado e a colorida foi tirada em março de 2014. Ao que consta o prédio deverá ser restaurado. 


O principal acontecimento da história do Brasil a ele relacionado é de 1930 quando grupos armados ligados a Aliança Liberal que apoiavam Getúlio Vargas no Ramal do Paranapanema (Norte Pioneiro) desde Cachoeira (Arapoti) até Cambará, Ribeirão Claro, Jacarezinho e Santo Antonio da Platina além da própria Jaguariaíva atacaram a tiros a guarnição da Policia Militar do Paraná que ai estava. O destacamento resistiu e os rebeldes recuaram para Arapoti. 

O delegado de Policia que era ligado à São Paulo pediu que viesse de Itapetininga um destacamento da Força Pública de São Paulo que ocupou a cidade e levou as locomotivas ai estacionadas para Itararé ... tudo teve inicio as dezessete horas de três de outubro de 1930. Começava a Revolução de 1930 em Jaguariaíva, no Paraná e em Porto Alegre com a tomada do Quartel General do Exercito.


quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Armas e uniformes militares do Museu Paranaense

Fotos de uniformes e armamento militar do acervo do Museu Paranaense em Curitiba- Pr

 Metralhadora utilizada na Guerra do Contestado





Metralhadora utilizada na Revolução Federalista e que pertenceu a Policia Militar do Paraná

terça-feira, 26 de novembro de 2013

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Fotos Históricas e de paisagens culturais - Brasil - Paraná e Norte Pioneiro e Norte do Paraná

Iniciamos a publicação de diversas fotos históricas e culturais, algumas delas comparativas, de momentos específicos da História do Brasil, do Paraná e de suas regiões Norte e do Norte Pioneiro.
Estas fotos foram selecionadas dentro de um projeto de ensino de História do Paraná.
Algumas delas já foram divulgadas por redes sociais diversas ao longo desse ano de 2013.

Antigo Posto de Gasolina em Quatiguá - Paraná
(década de 1940)


Colégio Estadual "Miguel Dias" em Joaquim Távora - Pr. Seu nome homenageia o fundador da cidade falecido em 1929 meses antes da criação municipio que recebeu o nome inicial de Affonso Camargo (Foto de Janeiro de 2013)

Na foto esta anotado que é o primeiro trem a chegar a Estação Quatiguá (próxima da serra ou serro do Quatigual) em 1923. Pode-se perceber a estação ainda em construção e uma numerosa população que já se fazia presente. A estação ficava bem no divisor de águas e das fazendas "Jaboticabal da Barra Grande" e "Chapada" que possuíam os dois núcleos urbanos que deram origem à atual Quatiguá - Pr .

Primeira representação pictórica de Curitiba por volta do momento da emancipação da Provincia do Paraná em 1853. A aquarela é de John Henry Elliot, norte-americano radicado no Brasil desde garoto, sertanista e mapista do Barão de Antonina e explorador do Norte do Paraná no século XIX. 


Guaratuba-Pr em 1930

Igreja Matriz de Ribeirão Claro sendo construída na década de 1920.

Inauguração da Estação Affonso Camargo (Joaquim Távora-Pr) em 1923

Inauguração da estação ferroviária de Quatiguá em 1923 - Ramal do Paranapanema

Instalação da Comarca de Ribeirão Claro - Pr em 1911

Museu Paranaense no Palácio São Francisco em Curitiba
(foto de 2013)




segunda-feira, 4 de março de 2013

CORNÉLIO PROCÓPIO – GLEBA CONGONHAS - MAIS UM POUCO DE SUA HISTÓRIA



CORNÉLIO PROCÓPIO – GLEBA CONGONHAS

MAIS UM POUCO DE SUA HISTÓRIA

Prof.Me. Roberto Bondarik
bondarik@utfpr.edu.br
Universidade Tecnológica Federal do Paraná


            Apesar das origens do município de Cornélio Procópio remontarem ao século XIX quando foi estabelecida da Posse do Rio Congonhas pelo Barão de Antonina, a ocupação efetiva de seu território tem seus registros a partir do final dos anos 20 do século passado.
            A posse Congonhas foi vendida no final do século XIX pelos herdeiros do Barão de Antonina e deu origem a Fazenda Congonhas que posteriormente seria loteada com nome de Gleba Congonhas. É fácil estabelecer quais eram os limites dessas terras, basta imaginarmos que elas abrangiam as duas margens do Rio Congonhas até o divisor de águas com o Rio Laranjinha. As terras cujas águas escoavam para o Congonhas pertenciam a essa gleba. Assim sendo parte do território urbano de Cornélio Procópio lhe pertenciam além é claro do Distrito de Congonhas e Leópolis.
            Segundo dados fornecidos pelo Professor Átila Silveira Brasil em seu livro, a posse do Barão de Antonina foi firmada em 1846 quando a seu mando os sertanistas Joaquim Francisco Lopes e John Henry Elliot exploraram o sertão do Rio Tibagi em busca de um caminho fluvial para a Província do Mato Grosso. Os dois sertanistas mapearam o Rio Congonhas ou “das Congonhas” nesse ano e o batizaram com esse nome por possuir em sua nascente muita erva-mate, chamada de “congonha” pelos paulistas. A posse se iniciava em São Jerônimo e acompanhava as margens do Congonhas até o Rio Tibagi. Consta que John Henry Elliot desejava fundar a Colônia Militar que foi estabelecida em Jataizinho nesse local, próximo de onde é a Ponte Nova em Sertaneja por ser o local abrigado das enchentes constantes, repentinas e violentas que haviam no Rio Tibagi.

Mapa com a extensão original da Gleba Congonhas em destaque em vermelho(Detalhe do Mapa de Romário Martins editado por Roberto Bondarik) 
            Em 1891 os herdeiros do Barão de Antonina venderam suas terras ou parte delas, desocupadas em sua grande extensão para Ildefonso Mendes de Sá. Essa Gleba também se iniciava em São Jerônimo,passava por Santa Cecília com os mesmos limites da bacia do Congonhas. Essa gleba deu origem a Fazenda Congonhas cuja existência é comprovada também pelos mapas que mostram os limites da Colonia Militar do Jatahy naquela época. Englobava também o território de Urai.
            A Fazenda Congonhas foi comprada em 1893 por Olegário Rodrigues de Macedo e José Marcondes de Albuquerque. No ano de 1900 Olegário tornou-se o único proprietário da Fazenda ao comprar a parte de seu sócio. Em 1902 a Fazenda Congonhas mudou novamente de dono sendo comprada por José Pedro da Silva Carvalho. Mesmo mudando de mãos por diversas vezes acreditamos ser difícil que algum deles tenha se fixado nestas terras ou produzido sua ocupação. Era muito comum àquele tempo que fazendeiros e investidores de Minas Gerais e de São Paulo comprassem terras, em grande extensão, no Norte do Paraná. A falta de estradas e outros meios de transporte tornavam os preços mais baixos e atrativos, estas fazendas cujos direitos eram garantidos pelos documentos de posse eram mantidas por meio de documentos, recibos e escrituras, com certeza não eram ocupadas por seus donos legais ou seus prepostos.
            A situação da região começou a mudar quando foi planejada a construção da ferrovia que vindo de Ourinhos em São Paulo teria por objetivo atingir a Assunção, capital do Paraguai. A Ferrovia São Paulo Paraná como foi denominada iria dotar o Norte do Paraná de um meio de transporte eficiente e rápido para aquele tempo, capaz de conduzir grandes volumes de carga e pessoas. A possibilidade de venda das fazendas existentes na área para aqueles que desejavam plantar algodão ou café era muito grande. Imagina-se a volorização das terras cortadas pela “linha do trem”.
Mapa da Ferrovia São Paulo - Paraná
            A ferrovia começou a ser construída e logo ligava Ourinhos a região de Cambará, mais precisamente a fazenda que pertencia a Companhia Agrícola Barboza, de propriedade de Antonio Barboza Ferraz e seus filhos Bráulio e Leovegildo. Construir ferrovia era algo muito caro e de difícil execução, em 1924 os Barboza Ferraz e seus sócios venderam seus direitos sobre a pretensa linha para um grupo de investidores britânicos que eram no Brasil liderados por Lord Lovat. Os britânicos foram atraídos, segundo Nelson Dácio Tomazi em seu livro, pela possibilidade de comprar as terras devolutas da margem esquerda do Rio Tibagi e depois dividi-las em lotes e revendo-os a pequenos proprietários depois de organizada a região com o transporte ferroviário, vias vicinais, estradas de rodagem e centros urbanos planejados. Pode ter sido o negócio imobiliário dos mais rentáveis do mundo destaca alguns pesquisadores. As terras por onde passaria a ferrovia foram adquiridas por investidores paulistas e mineiros antes mesmo que os ingleses assumissem a estrada e anunciassem a compra das terras que dariam origem a Londrina e Maringá por meio da Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP), subsidiaria da britânica “Paraná Plantations”.
Composição da Ferrovia São Paulo - Paraná
            Desta forma a A região Norte do Estado do Paraná compreendida pelas terras à Oeste do Rio Tibagi, foi efetivamente incorporada ao cenário produtivo nacional a partir das décadas de 1920 e 1930. Fruto de um grande investimento imobiliário no qual se faziam presentes investidores brasileiro mas principalmente britânicos. A venda das terras e o estabelecimento das condições logísticas e de infra-estrutura necessárias para a efetiva ocupação e plena exploração econômica somente foram efetivados com investimento e a presença do capital financeiro britânico. Os empresários britânicos conduziam projetos semelhantes em diversas partes do mundo, investindo em mineração, agricultura e logística. Empreendimentos que haviam caracterizado o período vitoriano daquele país.

Trecho da Estrada Cornélio Procópio - Santa Amélia(Foto: Roberto Bondarik - 13 de Julho de 2012)
            O projeto da CTNP não visava apenas ao projeto imobiliário, que pelas informações que possuíam, seria bastante lucrativo. Os ingleses também queriam uma ferrovia, pois nesta área tinham muita experiência em todo o mundo. A CTNP desenvolveu suas atividades durante este período (conhecido como fase inglesa da colonização do Norte do Paraná) e desde o inicio fez intensa propaganda no Brasil e no exterior onde elaborou a um discurso que reforça aquele sobre as maravilhas da região, do progresso e da riqueza ali existente, visando antes tudo trazer compradores para as terras que havia adquirido até então.
            Dentro da perspectiva da construção da Ferrovia São Paulo-Paraná, em 13 de outubro de 1923, José Pedro da Silva Carvalho vendeu a Fazenda Congonhas à Companhia Agrícola Barbosa, por trezentos contos de réis como afirma o Professor Átila. Mas posse ou os direitos acabaram sendo contestados por outras pessoas que se julgavam a proprietárias da área. Isso era comum naquele tempo em que a grilagem de terras era comum ou mesmo de boa fé o registro duplo ou triplo de um mesmo terreno. A Companhia Barboza contratou o advogado paulistano Francisco Morato, que seria fundador do Partido Democrátido de São Paulo e grande articulador da Revolução de 1930 como apoiador de Getúlio Vargas. Francisco Morato conseguiu assegurar os direitos dos Barboza. A gleba da Fazenda Congonhas começou a ser medida, loteada e vendida antes mesmo da chegada dos trilhos da ferrovia a Cornélio Procópio cuja instalação do núcleo urbano estava planejada desde 1924, porém em outra gleba, a Laranjinha de posse de Francisco da Cunha Junqueira. Mas a efetivação das vendas nessa área ocorreria apenas depois de 1932 quando ela foi comprada pela Companhia Paiva e Moreira.

Construção da ponte rodoviária sobre o Rio das Cinzas entre Andirá e Bandeirantes em 1929
(Fonte: Jornal "A República" - Curitiba, 12 de Dezembro de 1929)

           Para dar início à venda dos lotes da Fazenda Congonhas foi preciso abrir uma estrada de rodagem que vinha desde Cambará, passava por Andirá, cruzava o Rio das Cinzas, atingia Carvalhópolis (Abatiá), Santa Amélia e chegava as margens do Laranginha. Cruzando esse rio entrava pelo bairro Igarapava e seguia até onde hoje é a torre da Embratel na saída de Cornélio para Nova Fátima. Nesse ponto tinha início a Gleba da Fazenda Congonhas e em algum lugar as margens da estrada foi erguido o Armazém Velho, feito com tábuas já usadas e trazidas de Cambará. Nesse lugar ficava um administrador encarregado de levar os compradores até seus lotes. A estrada ainda passava por Cornélio e seguia até Congonhas. Possuindo o mesmo traçado da estrada velha até aquele distrito. Cruzava o rio, atingia a Serra do Herval e por fim chegava a Jataizinho, chamada à época de Jatahy. Sua abertura foi concluída definitivamente com as pontes em 1929.
            Esta estrada foi paga pelo Governo do Estado do Paraná e executada pela Prefeitura de Cambará, mesmo as terras pertencendo ao Município de Jacarezinho. Detalhe que o prefeito de Cambará era Braulio Barboza Ferraz, filho de Antonio Barboza e um dos sócios da Companhia Agrícola Barboza que se beneficiou do projeto. O jornal “A República”, de Curitiba publicou reportagem a respeito da construção da ponte sobre o Cinzas em 1929, mostrando sua foto na edição do dia 12 de dezembro daquele ano. A base da ponte é ainda a mesma que foi construída naquele tempo apesar dela hoje ser em concreto. Trata-se da ponte da estrada de terra próximo de Andirá.
Distrito de Congonhas em Cornélio Procópio, efetivamente foi por aqui que teve inicio a colonização deste Município 
Fonte: Roberto Bondarik - 12 de Julho de 2012)

          Pela estrada de rodagem Cambará – Jataizinho chegaram os primeiros pioneiros que efetivamente passaram a viver e produzir no que é hoje o município de Cornélio Procópio. Essa ocupação teve início por Congonhas e acreditamos os primeiros compradores e moradores tenham sido em grande parte ex-colonos das fazendas dos Barboza em Cambará e no Estado de São Paulo.

Cornélio Procópio - 2013(Fonte : Roberto Bondarik)

            Nossa história precisa ser estudada e contada para que seja conhecida e respeitada. Esse é o tributo que devemos à memória e ao esforço dos pioneiros que deram origem a esse rincão do Norte do Paraná.

domingo, 23 de dezembro de 2012

A VEZ DA ÉTICA NAS EMPRESAS


           No rastro das novidades que foram sendo introduzidas no ambiente de trabalho pelo processo de globalização, o Brasil acolhe agora uma preocupação que já vai avançada pelo mundo afora a ética nas empresas.

O Brasil foi então atingido por este rastro imenso de novidades e inovações, sendo que muitas das quais ainda não foram inteiramente e completamente assimiladas. Como já foi colocado, uma destas novidades é uma preocupação sócio-comportamental que faz parte de uma profunda discussão que já vai bastante avançada pelo mundo. Trata-se da questão do tratamento que vem sendo dispensado a ética dentro das empresas a chamada Ética Empresarial, Ética Organizacional ou ainda Ética Managerial. “(...) No Brasil, registra-se uma preferência pelo uso das expressões ética nas organizações ou organizacional e ética nos negócios, provavelmente pela mencionada influência do idioma inglês que utiliza [as expressões ‘business ethics’ e ‘organizational ethics’] (...)”. (ZOBOLI, 2001, p.5)

         Procurar demonstrar as diversas áreas que abrangem ou que sejam abrangidas pela ética nas organizações empresariais. Apontar e identificar, estudar e compreender aquilo que pode então ser considerado ético ou mesmo anti-ético, bem como as diversas aplicações da ética e sua análise na sociedade principalmente no âmbito do trabalho e da atividade profissional e também dentro das organizações empresariais que caracterizam nossa civilização, apresenta-se portanto como um dos objetivos primordiais deste trabalho.
A necessidade de se determinar quais seriam os comportamentos e atitudes que podem ser considerados ideais, necessários e principalmente adequados para a vida e convivência em grupo, e que, desta forma sejam, portanto, também considerados morais ou imorais, tornou-se um constante em todas as sociedades, culturas e civilizações ao longo da história.
Os seres humanos convivem em sociedade e a convivência nos desafia de maneira constante ao enfrentamento de situações e que a busca de respostas para a questão - “Como agir em relação aos outros?”- torna-se uma necessidade urgente e primordial. Questionamento este que é muito fácil de ser levantado, mas que apresenta uma extrema dificuldade em ser respondido. Esta busca pela resposta é, apresenta-se pois como a questão central da Ética e da Moral.
Desde que o homem adquiriu consciência sobre a necessidade da vida em grupo e teve o necessário discernimento sobre a importância da convivência em sociedade, como essência do processo civilizatório.
Os fatores considerados básicos para que existam as condições de socialização e de sociabilidade, que se percebem desde os primórdios da humanidade, praticamente tornaram a "Questão Ética e Moral" preocupação constante e essencial para toda a humanidade[1].
A preocupação dos valores exigidos para a vida em sociedade, tomaram novamente um impulso principalmente após o advento do capitalismo na segunda metade da Idade Média[2], quando novamente evidente ocorreu uma centralização da vida urbana[3], tornando-se as cidades centro da vida social e econômica. Ocorreu a intensificação do comércio e a afirmação dos novos paradigmas que caracterizaram a modernidade, que também colocaram diante do ser humano diversos novos questionamentos.
Os administradores de empresas, os executivos[4], elegeram o comportamento concebido e entendido como ético como um fator essencial para o desenvolvimento estratégico de suas organizações e consequentemente para obtenção de competitividade e da conquista da lucratividade:

"(...) Percebe-se que a discussão ética vem assumindo posição de centralidade nas reflexões desenvolvidas no campo do Pensamento Estratégico, quer seja pelo crescente volume de literatura dedicado ao tema quer seja pela grande preocupação das organizações e da mídia quanto a temas como assédio sexual no trabalho, discriminação por raça, gênero ou opção ideológica, relações organização-comunidade, controle de corrupção, entre outros. Nesse cenário, a figura do gerente aparece em destaque, não só porque seria um ator organizacional diretamente responsável pelas ações estratégicas definidas e implementadas pelas empresas, mas sobretudo dado à sua capacidade de imprimir ao ambiente organizacional um novo posicionamento ético. No entanto, alguns desafios se impõem ao desenvolvimento efetivo de uma reflexão e ação realmente éticas dos estrategistas organizacionais." (TEODÓSIO, 2000, p. 55-58)

Como uma das organizações não governamentais, mantida por empresas e empresários, interessadas na difusão de um comportamento ético, podemos destacar a atuação do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social[5], sediado na cidade de São Paulo. Este Instituto tem se destacado por seu trabalho como um dos mais atuantes na divulgação dos conceitos e comportamentos considerados como éticos, ou ,que ainda sejam, dentro do possível desejáveis e socialmente responsáveis dentro do meio empresarial brasileiro.
A discussão da ética é de extrema importância na conduta e comportamento das organizações empresariais frente ao mercado ao redor de todo o mundo. Trata-se da tentativa de estabelecer tipos de conduta aquilo que não está devidamente estabelecido ou suficientemente claro e corretamente exigido pela legislação vigente. Trata-se também de estabelecer aquilo que pode ser considerado certo ou aquilo que pode ser considerado errado nas ações que não se enquadram dentro da lei. Trata-se de buscar compreender e traçar os princípios e determinar os padrões que irão servir de orientação para o comportamento no mundo dos negócios[6].

REFERÊNCIAS:

SERAFIM, Maurício Custódio. A Ética No Espaço De Produção: Contribuições da Economia de Comunhão. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2001;

TEODÓSIO, Armindo dos Santos de Sousa. Ética & Estratégia: Variáveis Centrais Numa Equação Complexa no Campo Gerencial. Puebla, México: XIII Congresso Latino Americano de Estratégia - Del Pensamiento a la Accion Estratégica (SLADE), 2000, p. 55-58;

ZOBOLI, Elma Campos Pavoni. A Ética nas Organizações. São Paulo: Instituto Ethos, Reflexão ano 2, nº 4, março 2001;





[1] "(...) Desde a Antigüidade clássica, a ética é objeto de reflexão e debate nos mais variados campos do conhecimento, sendo a filosofia sua disciplina por excelência. Mas nem sempre essas discussões chegam ao grande público, o que contribui para a confusão que gira em torno da idéia da ética. Assim como a estética é percebida pelo senso comum na máxima "gosto não se discute", a ética, da mesma maneira, é entendida de uma forma estranha ao seu próprio conceito pela grande maioria das pessoas". (SERAFIM, 2000:p 17)

[2] Séculos XII a XV, principalmente (N.A.)

[3] Em seu apogeu no século II de nossa Era, também o Império romano tinha a parte principal de sua vida e existência centrada nas cidades e nas diversas aglomerações urbanas.

[4]  Chamados também, todos eles de “Managers” (Gestores). (N.A.);

[5] Maiores informações sobre a atuação do Instituto, bem como suas publicações podem ser encontradas no site disponível no endereço ;

segunda-feira, 23 de julho de 2012

quarta-feira, 11 de julho de 2012

A Revolução Constitucionalista no Norte Pioneiro do Paraná

Nesta semana completaram-se oitenta anos da Revolução Constitucionalista de de 1932. ocorreram combates no Norte Pioneiro do Paraná. Aproveito para reeditar o texto que publiquei aqui no Blog em 2008. 


Nove de Julho de 1932: A Revolução Constitucionalista no Norte Pioneiro do Paraná

Em 09 de julho de 1932 iniciava-se em São Paulo a Revolução Constitucionalista. A Guerra Paulista marcaria profundamente toda uma geração naquele Estado, mobilizando políticos, empresários, estudantes, homens e mulheres em um movimento que se estenderia até 03 de outubro daquele ano. Dias atrás uma personagem de novela de época lembrou sua atuação costurando uniformes e cachecóis para a tropa paulista.
Sob a reivindicação de uma constituição para o Brasil e o fim do Governo Provisório de Getúlio Vargas levantaram-se aqueles alijados por este do poder, aliados a outros que almejavam o controle do Estado de São Paulo e sentiam-se ludibriados pelos vencedores da Revolução de 1930. Foram meses de mobilização e mortes em várias frentes de combate.
Foi o Paraná palco dessas ações, a exemplo do que ocorrera na revolução anterior em 1930. A começar por forças do 5º RCD de Castro que se uniu aos paulistas em Itararé, como haviam feito em 1930. Outro fato a ser destacado foi o caso de acadêmicos de Curitiba que seguiram a pé pelo litoral e Serra do Mar, desde Antonina até São Paulo. Por fim as ações de combate verificadas no Norte Pioneiro do Estado, chamado à época de Ramal do Paranapanema em referência à ferrovia que corta a região de Jaguariaiva até Ourinhos-SP.
As ações no Norte Pioneiro ficaram sob o comando dos Generais João Francisco e ElisiárioPaim, sendo que este liderava uma coluna de provisórios da Brigada Militar Gaúcha. Estas tropas federais tinham o seu quartel-general em Wenceslau Braz enquanto os paulistas constitucionalistas ocupavam Ribeirão Claro, Jacarezinho e Cambará, invadidos a partir de Ourinhos e Xavantes. Tais informações encontram-se presentes em artigo de jornal escrito por Luiz Ignácio Domingues, documento preservado por mãos habilidosas e cuidadosas na Biblioteca Pública do Paraná. Intitulado "Centenas de Vidas Foram Sacrificadas na Aventura da Revolução Constitucionalista" o artigo foi publicado pelo  Jornal "O Estado do Paraná" em 1º de Dezembro de 1974. 

Domingues teria participado das ações das tropas federais na região. Segundo ele em 05 de agosto de 1932, próximo a ponte ferroviária sobre o Rio Jacaré, próximo a Jacarezinho, o General Paim enfrentou os paulistas e os fez recuar no final do dia 07 pela estrada de Ourinhos. Outros combates ocorreram ainda entre os dias 22 de setembro e 03 de outubro, como o da Fazenda Laranjal e Porto Maria Ferreira (hoje sob as águas represadas do Rio Itararé). As tropas federais, gaúchos em sua maioria, transpuseram Cambará, ultrapassaram o Rio Paranapanema chegando a Salto Grande onde bloquearam a ferrovia, fato que impediria a fuga do Estado Maior e lideranças constitucionalistas para o Mato Grosso e paises vizinhos, gerando isso um ataque mal sucedido de um trem blindado paulista.
Outras tropas ocuparam a região da Pedra Assassina diante de Ourinhos até que aquela cidade fosse também ocupada. Há que se lembrar que a passagem entre Riberão Claro – Xavantes continuava impedida pela Ponte Alves de Lima, destruída desde a Revolução de 1930.
Uma síntese do que foram os combates no Ramal do Paranapanema e o pelo que passaram os combatentes, pode ser conhecida pela ordem do dia da Coluna João Francisco e reproduzida por Domingues:
O que foi a marcha e travessia do Paranapanema, o que foram os dias de inquietação e de sacrifícios, sob a inclemência do tempo, sem calçados, sem agasalhos, quase nus, parcamente alimentados, sob intensa e violenta fuzilaria na defesa da ponte metálica para Ourinhos, não poderei eu dizer, que horas tais vivem-se, sentem-se, depois de se ter vivido, mas não se pintam, nem se descrevem”.


Fonte: DOMINGUES, Luis Ignácio. Centenas de Vidas Foram Sacrificadas na Aventura da Revolução Constitucionalista. Jornal "O Estado do Paraná", 1º de Dezembro de 1974. (Original disponível no acervo de recortes - pasta - de jornal do setor de Documentação Paranaense da Biblioteca Pública do Paraná - Curitiba)